Nem sempre o problema de um ambiente está na estrutura. Muitas vezes, está na superfície e o azulejo, apesar de resistente e funcional, carrega uma forte marca estética de época. Quando cores, estampas ou formatos deixam de dialogar com o restante da casa, surge a sensação de que todo o espaço envelheceu, mesmo que esteja em perfeito estado.
O grande erro aqui é acreditar que a única solução envolve retirar revestimentos. Hoje, projetos de design de interiores têm explorado caminhos mais estratégicos: atualizar a leitura visual sem interferir na base construtiva. Assim, os de técnicas para cobrir o azulejo sem precisar do famoso “quabra-quebra” ganham espaço justamente por equilibrar custo, rapidez e impacto estético real.
Segundo a arquiteta Marina Carvalho, a decisão de manter o revestimento original costuma ser mais inteligente do que demolir. “Quando a base está íntegra, trabalhar sobre ela reduz desperdício, evita entulho e permite mudanças reversíveis, algo muito valorizado em reformas contemporâneas.”
Adesivo para azulejo
Entre as alternativas mais populares para renovar os azulejos, os adesivos vinílicos se destacam pela facilidade de aplicação. No entanto, o que realmente faz diferença não é apenas colar, é saber preparar corretamente a superfície.

A parede, por exemplo, precisa estar completamente desengordurada e seca, já que a presença de resíduos de produtos de limpeza que possam estar na superfície são responsáveis pela maioria dos descolamentos precoces dos adesivos. Para se ter uma ideia, a gordura acumulada nos rejuntes impede a aderência uniforme, criando pequenas bolhas ao longo do tempo.
Além disso, o uso de uma espátula macia durante a aplicação ajuda a eliminar o ar preso e garante alinhamento preciso. O melhor de tudo, é que quando bem instalado, o adesivo cria continuidade visual e pode simular desde ladrilho hidráulico até superfícies monocromáticas minimalistas.
Contudo, existe um limite técnico importante: vapor constante reduz a vida útil. Dentro do box do banheiro ou atrás do fogão, o calor excessivo compromete o material. Nesses pontos, outras soluções costumam apresentar melhor desempenho.
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Papel de parede vinílico
Diferente do adesivo, o papel de parede não atua apenas como cobertura na azulejo antigo, ele redefine completamente a linguagem do espaço. Estampas amplas criam profundidade visual e ajudam a quebrar a repetição modular típica dos revestimentos cerâmicos. Mas existe um detalhe que muita gente ignora: o rejunte precisa desaparecer visualmente.

Sem nivelamento prévio, as marcações continuam aparentes sob a luz lateral, comprometendo o resultado.
A arquiteta Patricia Pomerantzeff alerta que esse preparo é decisivo. “O nivelamento transforma o papel em um novo plano arquitetônico. Sem essa etapa, o acabamento nunca parece profissional.”
Nesse caso, o uso de massas niveladoras específicas para cerâmica criam uma base contínua, permitindo que o revestimento se comporte como uma parede convencional. O resultado costuma funcionar especialmente bem em lavabos e cozinhas integradas, onde o décor pede personalidade sem excesso de intervenção estrutural.
Painéis de MDF ou PVC
Quando o objetivo é eliminar qualquer vestígio do azulejo, os painéis decorativos assumem papel quase arquitetônico. Diferentemente das alternativas que usam os adesivas, eles alteram a percepção volumétrica do ambiente.
Painéis em MDF revestido trazem aconchego e textura, principalmente em propostas contemporâneas que valorizam madeira ou padrões naturais. Já o PVC se destaca pela resistência à umidade, tornando-se escolha frequente em banheiros e áreas de serviço.

O cuidado essencial aqui é invisível: antes da instalação, é fundamental verificar infiltrações ou pontos de mofo. Cobrir um problema existente apenas o esconde temporariamente — e pode agravá-lo.
Outro ponto técnico importante é prever espessura e arremates. Rodapés, tomadas e bancadas precisam ser ajustados para que o painel pareça parte original do projeto, e não um elemento aplicado posteriormente.
Pintura epóxi
Para quem busca eliminar completamente o aspecto do revestimento, a pintura em azulejo com tinta epóxi é uma das soluções mais eficazes. O resultado visual se aproxima de uma parede nova, com leitura contínua e contemporânea. Entretanto, essa é também a alternativa que mais exige preparo técnico.

Incialmente, é necessário fazer um lixamento leve para remove o brilho superficial do azulejo e criar ancoragem para o primer (etapa indispensável para evitar descascamentos futuros).
Em seguida, é recomendado o uso de um rolo de espuma de alta densidade para garantir um acabamento uniforme, aplicado a tinta epóxi em camadas finas para evitar marcas. A cura completa pode levar alguns dias, período em que a área deve permanecer bem ventilada.
Nesse caso, o que realmente faz diferença é respeitar o tempo de secagem entre demãos. A pressa, comum em projetos DIY, é responsável por falhas de aderência e manchas irregulares.




