Durante alguns anos, as suculentas ocuparam vitrines, mesas de centro, estantes e até lembrancinhas de eventos. Pequenas, resistentes e fáceis de cuidar, elas se tornaram símbolo de uma decoração prática e acessível. No entanto, basta observar projetos mais recentes de decoração de interiores para perceber que essas plantas já não aparecem com a mesma força de antes. Mas será que elas realmente sumiram ou apenas mudaram de lugar?
A resposta está menos ligada ao fim de uma tendência e mais à maturidade do olhar sobre o verde dentro de casa. Assim como aconteceu com outros elementos que viveram um pico de popularidade, as suculentas deixaram de ser protagonistas absolutas para assumir um papel mais pontual, coerente e integrado ao espaço.
Do excesso à curadoria: o que causou o “silêncio” das suculentas
O grande boom das suculentas coincidiu com a valorização do DIY, dos ambientes compactos e da estética minimalista nas redes sociais. Vasos pequenos alinhados, terrários e composições repetidas se tornaram quase uma fórmula pronta. Com o tempo, esse uso excessivamente decorativo acabou desgastando a imagem da planta.

Segundo Mel Maria, jardineira e comerciante de plantas ornamentais da Mel Garden, a mudança foi perceptível no comportamento do público. “Teve uma época em que as pessoas compravam suculentas quase por impulso, sem pensar no ambiente ou na luz disponível. Hoje, quem procura esse tipo de planta quer entender onde ela vai ficar e se realmente faz sentido para a casa”, explica.
Essa virada acompanha um movimento maior na decoração com plantas, que passou a valorizar menos a repetição de tendências e mais a construção de identidade nos ambientes.
Um novo protagonismo do verde nos interiores
Enquanto as suculentas ficaram associadas a composições pequenas e previsíveis, outras espécies ganharam espaço por seu impacto visual e sensorial. Plantas de folhas amplas, volumes orgânicos e presença escultural passaram a dialogar melhor com projetos contemporâneos, que buscam conexão com a natureza de forma mais intensa.
Isso não significa que as suculentas perderam valor, mas que deixaram de ser solução universal. Hoje, elas aparecem com mais coerência em escritórios, lavabos bem iluminados, estantes pontuais ou como parte de coleções botânicas mais autorais.

Para Ana Lúcia Ferreira, que ama cultivar suas “verdinhas” em casa, a relação com as plantas mudou. “Quando comecei, também enchia a casa de suculentas. Com o tempo, percebi que algumas não se adaptavam bem e que outras plantas traziam mais vida para os espaços. Hoje cultivo suculentas com mais calma, escolhendo espécies que realmente funcionam no meu dia a dia”, conta.
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Estética mais natural, menos cenográfica
Outro ponto importante é a mudança estética nos interiores. Ambientes excessivamente cenográficos, montados apenas para fotografia, perderam espaço para casas mais vividas, com decoração afetiva, texturas naturais e escolhas duradouras. Nesse contexto, o verde deixou de ser apenas um detalhe decorativo e passou a cumprir um papel funcional, emocional e até climático.
As suculentas, por seu porte reduzido, nem sempre conseguem cumprir esse papel sozinhas. Por isso, hoje elas surgem como complemento, não mais como elemento central. Em projetos de arquitetura de interiores, aparecem integradas a composições maiores, misturadas a outros tipos de plantas ou inseridas em vasos com design mais marcante.
As suculentas ainda fazem sentido?
Fazem, sim — desde que usadas com intenção. Espécies como echeverias, haworthias e crassulas continuam sendo excelentes opções para quem busca plantas resistentes e de baixa manutenção. A diferença está no olhar: ajuda quando a escolha considera iluminação natural, ventilação, escala do ambiente e diálogo com o restante da decoração.

Aliás, esse uso mais consciente devolve às suculentas um charme que havia se perdido no excesso. Elas deixam de ser “moda” e passam a ser escolha, o que costuma garantir maior longevidade estética.
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Tendências não acabam, amadurecem
Dizer que as suculentas sumiram de cena é uma simplificação. O que aconteceu, na prática, foi um amadurecimento coletivo sobre como usar plantas na decoração de interiores. O verde ganhou mais protagonismo, mais estudo e mais respeito — e, nesse novo cenário, cada espécie ocupa o lugar que faz mais sentido.
Assim, as suculentas seguem presentes, mas agora longe do óbvio. Menos repetidas, mais bem escolhidas e integradas a projetos que priorizam equilíbrio, bem-estar e identidade. E talvez esse seja o melhor destino para qualquer tendência: deixar de ser moda para se tornar linguagem. E, por aí? Você ainda mantém ativa sua coleção de suculentas?





