Arquitetas ensinam como não sabotar o sono com a escolha errado do colchão

Danielle Dantas e Paulo Passos explicam como tamanho, densidade, tecnologia e perfil do morador influenciam diretamente na qualidade do descanso

Arquitetas ensinam como não sabotar o sono com a escolha errado do colchão

Mais do que um item do quarto, o colchão impacta diretamente na qualidade de vida. Um modelo inadequado pode provocar dores musculares, desalinhamento da coluna, noites fragmentadas e até queda de produtividade no dia seguinte | Projeto Dantas & Passos Arquitetura | Foto: Henrique Ribeiro

Era para ser simples: entrar na loja, testar rapidamente e sair com um colchão novo. Mas bastam alguns minutos entre modelos de diferentes densidades e tamanhos para surgirem algumas dúvidas. Mas afinal, colchão não era tudo igual?

O colchão é um dos elementos mais importantes do quarto, nós passamos cerca de um terço da nossa vida sobre ele. Portanto, essa decisão precisa ser feita com atenção, comparando modelos e entendendo as necessidades do próprio corpo”, afirmam as arquitetas Danielle Dantas e Paula Passos, à frente do escritório Dantas & Passos Arquitetura.

Para ajudar quem está em busca do modelo ideal, as profissionais compartilham orientações técnicas e práticas que fazem toda a diferença. Confira! 

Por onde começar?

Todo mundo quer uma noite de sono reparadora, não é? Mas antes de falar sobre marcas ou tecnologias, o primeiro passo é olhar para quem vai usar o colchão. Fatores como peso, altura, estrutura corporal, idade, posição em que costuma dormir e até possíveis dores nas costas vão influenciar diretamente na escolha.

Uma análise comportamental permite indicar modelos mais adequados e duráveis. Por exemplo: quem trabalha apoiado na cabeceira, por exemplo, precisa de um nível de firmeza diferente de quem usa a cama apenas para dormir | Projeto Dantas & Passos Arquitetura | Foto: Henrique Ribeiro

Não existe um tipo de colchão perfeito para todo mundo. Existe aquele adequado para cada biotipo e necessidade, uma pessoa mais leve e de estrutura estreita precisa de uma firmeza diferente de alguém com maior massa corporal”, explica Danielle.

Então, a meta é clara: alinhamento da coluna e relaxamento muscular. “O importante é que o colchão permita uma postura de sono correta. Nem sempre o mais duro é o melhor para a dor nas costas, muitas vezes, uma firmeza intermediária resolve”, completa Paula.

Por dentro das medidas

As principais medidas padrão no Brasil são:

***Para estaturas fora do padrão, é possível solicitar colchões sob medida diretamente ao fabricante.

Segundo as profissionais, as medidas do colchão devem ser 2 cm menores do que as medidas de uma cama tradicional, para que seja feito o encaixe correto. Exceto, é claro, a cama box em que o colchão deverá ter o mesmo tamanho.

Mola ou espuma?

Escolhido o modelo desejado e entendendo suas necessidades, surge então o momento de escolher entre mola e espuma, onde cada tecnologia atende a um perfil específico. De forma geral, a dupla resume:

A durabilidade de cada tipo de colchão é variável de acordo com o modelo | Projeto Dantas & Passos Arquitetura | Foto: Maura Mello

– Espuma: Mais firme e estável, costuma ser indicada para quem busca maior sustentação. Deve ser escolhida conforme a densidade, que determina o suporte de peso. A vida útil média é de aproximadamente cinco anos.

– Molas (contínuas ou ensacadas): São associadas a maior maciez e conforto, além de terem uma durabilidade variada entre oito e dez anos.

As molas ensacadas individualmente são especialmente recomendadas para casais, pois reduzem a transferência de movimento. “Quando um se mexe, o outro praticamente não sente”, comenta Danielle Dantas.

Pillow top: vale a pena?

O acabamento com camada extra de conforto, conhecido como pillow top, conquistou muitos consumidores pelo toque macio extra, mas ele exige atenção.

O pillow top traz uma sensação imediata de aconchego, mas não substitui a firmeza estrutural do colchão, a base precisa ser adequada ao biotipo da pessoa”, enfatiza a dupla.

Paula Passos reforça que a qualidade do material faz diferença. “Se for de baixa qualidade, pode deformar mais rapidamente. O ideal é testar e entender se ele complementa o conforto ou apenas mascara um suporte inadequado”. Em alguns casos, o uso de um pillow removível pode ser uma alternativa interessante, permitindo manutenção ou troca futura sem comprometer toda a estrutura.

Explicando firmeza e densidade

A densidade representa a quantidade de espuma por metro cúbico (m³) e indica a capacidade de suporte do colchão, ela é identificada pela letra D seguida de um número, por exemplo: D28, D33, D45.

No caso de dúvidas, o cliente pode solicitar o auxílio do arquiteto para fazer uma visita até a loja de colchões. Assim, será possível encontrar o modelo mais adequado de acordo com o projeto do quarto e o perfil do morador | Projeto Dantas & Passos Arquitetura | Foto: Maura Mello

Existe uma tabela oficial de biotipos do INER (Instituto Nacional de Estudos do Repouso) que auxilia na escolha adequada, cruzando altura e peso do usuário. “Uma pessoa com peso maior precisa de densidade mais alta para garantir durabilidade e suporte correto”, orientam as arquitetas.

No caso de casais, o cálculo deve considerar o peso da pessoa com maior massa corporal e a altura média do casal.

Especial: cama para idoso

Com o avanço da idade, a escolha do colchão e da altura da cama ganha ainda mais importância, pois levantar e deitar deve ser um movimento natural e seguro. “Para idosos, observamos principalmente a altura final da cama, considerando base e colchão. O ideal é que os pés toquem completamente o chão ao sentar na borda”, orienta Paula.

A firmeza também merece atenção nesse caso, pois um colchão excessivamente macio dificulta o movimento de levantar. Já um muito rígido pode gerar pontos de pressão.

Testar é indispensável

Como nada substitui a experiência real, as arquitetas recomendam deitar no colchão na loja, na posição em que se costuma dormir, e permanecer alguns minutos. “Não é para sentar na ponta e decidir. É preciso deitar de verdade, sentir o apoio, perceber se o corpo relaxa”, orienta Paula.

O conforto não depende apenas do colchão. As arquitetas também recomendam uso de tecidos respiráveis, como algodão de boa qualidade, que ajuda na regulação térmica e influencia diretamente na sensação de conforto | Projeto Dantas & Passos Arquitetura | Foto: Eduardo Pozella

Já Danielle sugere ainda um caminho curioso: “Se você dormiu em um hotel ou na casa de alguém e gostou muito do colchão, pergunte o modelo. Às vezes, a melhor referência já foi testada por você”, que completa que mesmo que você opte por comprar online, vale a pena visitar uma ou duas lojas e testar.

Prazo de validade

Pouca gente sabe, mas colchões têm vida útil. Com o tempo, perdem sustentação e acumulam ácaros e impurezas, mesmo com manutenção adequada. “Respeitar o prazo de troca é investir diretamente na saúde do sono. Muitas dores e desconfortos estão ligados a colchões antigos ou inadequados”, alertam as arquitetas.

Por fim, lembre-se: o colchão é um investimento em saúde e não apenas conforto.

  • Cláudio P. Filla é comunicador social e especialista em mídias digitais, com mais de 11 anos de atuação na curadoria de tendências para o mercado de arquitetura e decoração. Como editor-chefe do Enfeite Decora, Cláudio lidera um conselho editorial composto por arquitetos, designers de interiores e paisagistas registrados (CAU/ABD), garantindo que cada artigo combine inspiração visual com rigor técnico e normativo. Sua missão é traduzir o complexo universo da construção e do design em soluções práticas, sustentáveis e acessíveis, sempre sob o respaldo de profissionais renomados do setor brasileiro.

    Para mais conteúdos do Enfeitedecora, siga o nosso X (Twitter), Instagram e Facebook, inscreva-se no nosso canal no Spotify, Pinterest e acompanhe as atualizações sobre decoração, arquitetura, arte e projetos inspiradores.


    E-mail: contato@enfeitedecora.com.br

  • A Dantas & Passos Arquitetura desenvolve projetos de arquitetura e design de interiores para os segmentos residencial e comercial. Atuando no mercado desde 1996, as arquitetas Danielle Dantas e Paula Passos valorizam os projetos que os clientes possam realmente aproveitá-los.  Cores neutras e atemporais fazem parte da essência da dupla, que tem um vasto portfólio nas cidades de São Paulo, interior e Miami. “Buscamos sempre pensar em soluções exclusivas e feitas sob medida para cada cliente, sempre respeitando os sonhos de cada um. Participamos pessoalmente de todas as etapas do projeto, desde a criação até os objetos de decoração.”

    Tel. e WhatsApp: (11) 99366-9690 (Danielle Dantas)

    Tel. e WhatsApp: (11) 98339-9096 (Paula Passos)

    Redes Sociais
    Facebook | Pinterest | Instagram 

Sair da versão mobile