Em um prédio antigo no bairro de Perdizes, em São Paulo, um apartamento de 70 m² foi transformado em algo muito além de um espaço bonito: tornou-se um reflexo íntimo da alma de sua moradora. O projeto, assinado pela arquiteta Thaís Monfré e pela designer de interiores Ana Maia, propôs um olhar sensível e atual sobre o que é, de fato, morar — unindo memória afetiva, design autoral e soluções funcionais.
A reforma foi completa. Com um layout originalmente compartimentado e revestimentos datados, o imóvel exigia uma renovação profunda. E mais do que isso, pedia uma narrativa emocional, pois a jornalista Stéphanie Durante voltava para o mesmo prédio onde havia passado a infância — carregando consigo lembranças, objetos e um desejo genuíno de reencontro.
“Nada aqui foi comprado apenas para decorar. Tudo tem história, memória ou referência afetiva”, destaca a arquiteta Thaís Monfré, que traduziu a identidade da moradora em cada detalhe do novo projeto.
Cores e afetos costuram os espaços
Um dos primeiros gestos do projeto foi a remoção de um dos dormitórios, o que permitiu ampliar a área social e integrar o estar ao novo home office, posicionado estrategicamente ao fundo da sala. O espaço agora acomoda com conforto amigos, livros, objetos de arte e lembranças — todos protagonistas no décor.

Na paleta de cores, a tinta Baleia Azul, da Suvinil, marca presença na parede da sala de jantar e estabelece um contraste envolvente com os tons neutros do porcelanato Duo Concret Gris, da Incepa. A mesa de jantar da Lui Decor se alia às cadeiras Tolix e a um banco-baú sob medida para oferecer circulação fluida e funcionalidade.
“A tinta se tornou nossa aliada para construir ambientes vibrantes e expressivos, sem abrir mão da leveza. O piso cinza, por sua vez, traz neutralidade e sofisticação”, explica a designer Ana Maia.
Marcenaria sob medida para acolher lembranças
Mais do que um projeto estético, a reforma foi uma costura de passagens. No estar, a escrivaninha centenária da família ganhou nova função como aparador. Sobre ela, um toca-discos vintage e uma adega moderna dialogam com obras de arte e objetos colecionados ao longo dos anos.

Em frente, um banco de cimento pigmentado em rosa, da Croma Pinturas, reforça o espírito afetivo e a estética contemporânea que perpassa o apê. Tudo ali parece conversar — o antigo com o novo, o improviso com o projeto, a funcionalidade com a memória.

As paredes receberam quadros e peças de viagem, garimpadas ou herdadas. O resultado é um espaço que pulsa, que tem alma. Um lar com raízes no passado e o olhar voltado para o presente.
Cozinha e banheiro com alma retrô e soluções criativas
Na cozinha, a história continua sendo o fio condutor. Um móvel antigo herdado da fazenda da tia-avó foi restaurado e ganhou nova vida com laca azul, remetendo aos azulejos das cozinhas de antigamente. O armário inferior segue o mesmo tom e foi executado com granito São Gabriel escovado e laca Sayerlack.

Além disso, o painel pegboard instalado no backsplash permite liberdade para a moradora reorganizar prateleiras e utensílios conforme a necessidade — um aceno à funcionalidade sem comprometer a estética.

No banheiro, o destaque vai para o contraste entre a marcenaria ripada em MDF Tauari e a tinta Céu Nublado, também da Suvinil. A bancada em granito Itaúnas com cuba da Deca confere sobriedade, enquanto as pastilhas retangulares Ártico, da Atlas, mantêm a referência retrô vista na cozinha.
Dormitório: aconchego e estilo com toques pessoais
O quarto reflete a mesma sensibilidade do restante do projeto. A parede lateral foi pintada com a tonalidade Flor-de-anis, da Suvinil, servindo de pano de fundo para os balões de Murano e para a marcenaria branca executada em MDF Branco Diamante, da Duratex.

A cabeceira de tijolinho branco Rustic Neve, da Gauss, reforça o clima despojado e cria um ponto de interesse visual delicado e moderno. Ao lado, uma estante de serralheria com pintura eletrostática preta traz textura industrial e equilibra a leveza do restante do cômodo.
Quando o design encontra a identidade
Esse projeto mostra como o verdadeiro luxo mora nos detalhes que contam histórias. Cada móvel, cada cor, cada textura foi escolhida para reverberar uma memória, um afeto, uma intenção.
“Amo estar em casa e me reconhecer em cada cantinho. Este apartamento é reflexo de quem sou”, diz Stéphanie Durante, em um depoimento que sintetiza o espírito do lar.
Em tempos de tanta impessoalidade, um apartamento que acolhe, emociona e representa é mais do que um espaço: é uma extensão da própria existência. E este projeto soube traduzir isso com maestria.





