Em um cenário urbano cada vez mais compacto, o desafio de transformar poucos metros quadrados em um lar acolhedor, funcional e visualmente envolvente se torna uma verdadeira prova de sensibilidade arquitetônica. Foi justamente nesse ponto de equilíbrio entre estética e uso cotidiano que nasceu o projeto deste apartamento de 60m² em Moema, pensado como presente de uma mãe para a filha que iniciava uma nova fase de vida em São Paulo.
Assinado pela arquiteta Mari Milani, o projeto partiu de uma premissa clara: criar um espaço que refletisse juventude, leveza e romantismo, mas sem abrir mão da fluidez, da organização e da eficiência espacial. O resultado é um apartamento que não apenas encanta pelo visual, como também surpreende pela maneira como cada área se conecta e se adapta à rotina da moradora.
Design orgânico e a delicadeza das formas
Logo no hall de entrada, o olhar é guiado por linhas curvas que parecem suavizar a geometria do ambiente. O buffet abaulado, o espelho orgânico e até os suportes de bolsas e casacos traduzem uma linguagem que se repete ao longo de todo o apartamento de 60m². Mais do que um recurso estético, essas curvas ajudam a criar uma sensação de acolhimento, rompendo com a rigidez típica dos espaços compactos.

Para Mari Milani, esse tipo de desenho vai muito além da tendência. “As formas orgânicas são uma resposta direta à busca por bem-estar dentro de casa. Elas suavizam a leitura dos espaços e contribuem para que o morador se sinta mais confortável e protegido no ambiente”, observa a arquiteta, que integrou esse conceito desde o mobiliário fixo até os pequenos detalhes decorativos.
Até mesmo elementos técnicos, como o quadro de distribuição, foram incorporados à marcenaria ripada, reforçando a ideia de que nada deveria quebrar a narrativa visual do projeto.
A cor do ano 2026 como fio condutor do projeto
Outro protagonista silencioso do apartamento de 60m² é o tom que reveste grande parte dos ambientes: o branco inspirado no Cloud Dancer, eleito como cor do ano 2026. Longe de ser apenas neutro, esse branco traz uma nuance suave, quase etérea, que amplia visualmente os espaços e cria uma base serena para o restante da decoração. Segundo Mari Milani, a escolha foi estratégica.
“Esse tom arejado e delicado ajuda tanto na sensação de amplitude quanto na criação de uma atmosfera calma. É um branco que não é frio, mas sim envolvente, perfeito para quem deseja um espaço que transmita tranquilidade sem perder personalidade”, explica.
A cor aparece na marcenaria, nas paredes e até nos armários da cozinha e lavanderia, funcionando como pano de fundo para as texturas, curvas e materiais que pontuam o projeto.
Cozinha integrada e soluções invisíveis
A cozinha é o primeiro ambiente que se revela após o hall e já antecipa o cuidado com o aproveitamento da planta. Integrada ao estar, ela foi pensada para não se impor visualmente, mas ainda assim oferecer tudo o que a moradora precisa no dia a dia.

A ilha central abriga o cooktop a gás, solução que exigiu a passagem do gás pelo piso, liberando os armários e garantindo uma marcenaria mais limpa. A bancada em lâmina sinterizada com estética de mármore Calacata adiciona sofisticação, ao mesmo tempo em que oferece resistência e fácil manutenção, essencial em um apartamento de 60m² onde tudo precisa ser prático.
Na parte inferior da ilha, forno e micro-ondas foram embutidos, enquanto gavetas ocultam utensílios, mantendo o visual organizado. Uma coifa sobre o cooktop assegura que odores e gordura não se espalhem pelo restante do espaço integrado.

A lavanderia, por sua vez, foi incorporada à varanda, ampliando a área de trabalho e permitindo que os armários brancos de desenho provençal dialoguem com a elegância da cozinha. O tampo que recobre o vão do tanque transforma o espaço em uma superfície contínua, reforçando a sensação de unidade.
Sala de estar: leveza e continuidade visual
No living, o projeto revela como o décor romântico pode ser interpretado de forma contemporânea. Sofá, tapete, almofadas e cortinas seguem uma paleta neutra, criando uma base acolhedora que não pesa visualmente. As cortinas de tecido natural filtram a luz que entra pelas esquadrias, enquanto o tapete delimita a área de estar sem a necessidade de divisórias.

Em vez de uma mesa de jantar tradicional, a arquiteta optou por uma base suspensa, posicionada abaixo da bancada da cozinha e acompanhada por três cadeiras. Essa solução garante um espaço para refeições sem comprometer a circulação, algo fundamental em um apartamento de 60m².

O rack e o painel da TV seguem a mesma linguagem orgânica do hall e da cozinha, reforçando a coerência do projeto e criando uma narrativa visual contínua.
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Dormitório que une estudo, descanso e autocuidado
No quarto, a suavidade cromática e a eficiência espacial caminham juntas. A parede lateral, onde se encontra a janela, foi transformada em um verdadeiro eixo funcional, concentrando armários aéreos, nichos e uma base suspensa em “L” que abriga tanto a penteadeira quanto a bancada de estudos.

Essa marcenaria inteligente permite que a moradora tenha tudo ao alcance, sem comprometer a leveza do ambiente. A luz natural abundante valoriza tanto os momentos de concentração quanto os de autocuidado, reforçando o caráter íntimo e acolhedor do espaço.
Para Mari Milani, o segredo está na integração entre função e emoção. “Em um projeto compacto, cada escolha precisa dialogar com a rotina da moradora, mas também com o que ela deseja sentir dentro de casa. É isso que transforma um apartamento em lar”, afirma.





