Nem toda luminária nasce para iluminar. Algumas surgem para alterar o ritmo do espaço. É nesse território — entre função e atmosfera — que se posiciona a criação idealizada por Priscila Poli e produzida pela tradicional Cristais de Gramado. Inspirada no conceito dinamarquês do hygge, a peça traduz o gesto íntimo de acender velas em uma solução contemporânea que combina técnica artesanal, tecnologia e narrativa sensorial.
Mais do que uma fonte de luz, trata-se de um objeto que convida à pausa. Ao substituir a chama por uma iluminação controlada, a luminária em cristal soprado preserva o aconchego visual da vela, mas elimina riscos — especialmente em ambientes com circulação de ar, crianças ou uso prolongado durante a noite.
O ritual do hygge transformado em design
O conceito de hygge, que valoriza pequenos momentos de conforto cotidiano, foi o ponto de partida do projeto. Contudo, a proposta não se limita à estética escandinava. Ela ressignifica o ritual à luz da realidade contemporânea, onde segurança e praticidade são prioridades.

Foi dessa vivência pessoal que nasceu a ideia. “Pensando no quanto minhas filhas gostam de me acompanhar no hygge, idealizei algo que fosse perfeito para o ritual do sono, para ler, relaxar ou simplesmente estar, mas que pudesse substituir a vela com mais segurança e flexibilidade de uso. A luminária permite viver o mesmo aconchego do fogo sem riscos, mesmo em ambientes com circulação de ar, vento, crianças ou para uso durante toda a noite”, conta Priscila Poli.
Assim, o design assume uma função simbólica. A chama, antes efêmera, torna-se permanente. A atmosfera, antes dependente do fogo, passa a ser mediada por tecnologia.
Cristal soprado e luz de 1800K: a técnica por trás da atmosfera
A cúpula da luminária criada por designer brasileira é produzida em cristal artístico soprado, técnica que carrega séculos de tradição europeia e encontra no Brasil um dos seus polos mais reconhecidos. O domínio da matéria-prima, aliado ao sopro manual, garante que cada peça seja única — com variações sutis de espessura e transparência que interferem diretamente na forma como a luz se difunde.
Entretanto, o diferencial técnico está no uso de pó fotoluminescente, aplicado ao cristal para criar um brilho residual mesmo após o desligamento da luz. O efeito prolonga a sensação de acolhimento e suaviza a transição entre claridade e escuridão.
Dica Enfeite Decora: ““O efeito do pó fotoluminescente é o que realmente diferencia esta peça de uma luminária comum. Ao desligar, o brilho residual cria uma transição suave que evita o ‘choque’ da escuridão total — uma solução brilhante que testamos e aprovamos para quartos infantis e de meditação.”
Com temperatura de cor em torno de 1800K, a iluminação reproduz o espectro quente e irregular da chama natural. Essa faixa é significativamente mais baixa do que a iluminação residencial padrão (2700K), o que resulta em sombras suaves e zonas de penumbra que favorecem relaxamento e desaceleração.
“É um efeito que prolonga a sensação de calma e transforma o ritual em experiência sensorial. Além disso, cada peça é única, pois o sopro artesanal torna impossível repetir o mesmo desenho, como se cada luminária guardasse uma pulsação própria”, explica a designer.
Madeira maciça e presença escultórica
A base da peça é torneada à mão em madeira tauari, reforçando o diálogo entre materialidade natural e tecnologia. A escolha não é apenas estética. A madeira absorve parte da luminosidade, evitando reflexos excessivos e contribuindo para o efeito de luz orgânica.

Além disso, a proporção entre cúpula e base confere à peça uma presença escultórica. Mesmo desligada, a luminária decorativa mantém seu protagonismo sobre estantes, aparadores e mesas laterais. Dessa forma, cumpre dupla função: iluminar e compor.
Aliás, essa característica a aproxima de objetos autorais que não dependem exclusivamente da função para justificar sua existência. O design passa a ser narrativa.
Luz como experiência emocional
Em projetos contemporâneos de design de interiores, a iluminação deixou de ser apenas técnica e tornou-se estratégica. Ela organiza volumes, altera percepções e define atmosferas. Nesse contexto, a proposta da peça se alinha a uma tendência crescente de luz baixa, pontual e intimista.
“Acender uma vela é um gesto simples, mas tem uma força simbólica enorme. A chama muda o ritmo do ambiente, suaviza o olhar e convida à presença. É como se a casa respirasse junto com a gente. Quando a luz se torna viva, o espaço deixa de ser apenas bonito e passa a ter alma”, afirma Priscila.
Essa afirmação sintetiza o conceito central da criação: transformar luz em experiência.
Onde usar a luminária para potencializar o efeito
Embora concebida para momentos de descanso, a luminária que imita vela pode assumir diferentes papéis dentro da casa. Em quartos, atua como luz de apoio noturna; em salas, cria ilhas de acolhimento visual; em varandas fechadas, reforça a atmosfera de refúgio.
Contudo, seu maior impacto ocorre quando integrada a composições com materiais naturais — madeira clara, linho, pedra, fibras vegetais — que absorvem e refletem a luz quente de maneira difusa. Assim, o ambiente se torna coerente com a proposta sensorial da peça.
Um objeto de design com tempo próprio
Disponível sob demanda, com produção artesanal que respeita o tempo do fazer manual, a peça reafirma uma tendência clara no design brasileiro contemporâneo: a valorização da técnica aliada à narrativa emocional.
Mais do que acompanhar modismos, a luminária inspirada no hygge propõe uma desaceleração consciente. Cada vez que se acende, não apenas ilumina — inaugura um intervalo.
Opinião Enfeite Decora: “O que torna esta luminária um item indispensável em 2026 é a sua capacidade de ser atemporal. Em um mundo cada vez mais digital, trazer o cristal artesanal de Gramado para dentro de casa, com a segurança de uma tecnologia que simula o fogo perfeitamente, é o ápice do design funcional. É a peça ideal para quem, como nós, não abre mão de um refúgio particular ao final do dia.”





