Quase todo mundo já voltou da loja com uma peça de que gostou muito e, na hora de colocar em casa, não achou lugar para ela. O mesmo acontece com a estante cheia de objetos queridos que, em vez de charme, passa sensação de bagunça. Gostar de uma peça não garante que ela vai funcionar, porque uma decoração da casa bem resolvida depende de proporção, cores, materiais e da relação de cada objeto com o que está ao redor.
Para as arquitetas Danielle Dantas e Paula Passos, do escritório Dantas & Passos Arquitetura, o que compromete a decoração é tratá-la como uma forma de preencher superfícies, quando ela precisa conversar com quem mora. Livros, vasos, peças artesanais, obras de arte e lembranças de viagem podem dividir o mesmo espaço, desde que exista intenção por trás de cada escolha.
“A ideia é sempre criar ambientes com personalidade, que pareçam construídos ao longo do tempo, e não montados de uma só vez”, esclarecem as profissionais.
1. Querer preencher todos os espaços
Nem toda mesa de centro precisa reunir uma coleção de coisas para ficar interessante. Segundo Danielle Dantas, deixar áreas livres também faz parte da composição, já que são elas que permitem aos objetos decorativos ganhar destaque e ao olhar encontrar pontos de descanso.
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Para a dupla, o excesso tem menos a ver com a quantidade de peças e mais com o jeito de organizá-las. Um ambiente pode reunir muitos objetos e ainda assim passar harmonia, enquanto outro, com poucos elementos, parece visualmente confuso.
“Uma dica simples é criar uma hierarquia visual, porque não dá para tudo chamar a atenção ao mesmo tempo. Acho legal escolher uma peça principal e deixar as outras completando o conjunto”, explica a arquiteta.
Num aparador, por exemplo, um vaso de presença marcante pode ser o ponto focal, acompanhado de alguns livros e de um objeto menor. A variação de alturas e volumes cria movimento, e as peças deixam de disputar a atenção umas com as outras.
2. Não considerar as proporções
Um vaso pequeno demais sobre um aparador amplo mostra como uma peça interessante pode não funcionar no lugar onde foi colocada. Por isso, a escolha precisa levar em conta a escala dos objetos em relação à mobília, a distância entre eles e o espaço livre ao redor. Em alguns casos, um único elemento maior dá conta da composição melhor do que vários acessórios pequenos.

As arquitetas também chamam a atenção para o uso do dia a dia. A mesa de centro precisa continuar disponível para apoiar um livro, uma xícara ou outros itens cotidianos, e o mesmo vale para aparadores, mesas laterais e estantes, onde os objetos devem complementar o móvel e não atrapalhar.
“Então, antes de comprar uma peça, observe onde você irá colocar, como ela se relacionará com os demais elementos e se haverá espaço suficiente para a circulação e as atividades do dia a dia. Se você tiver crianças, esse passo é ainda mais importante”, completam.
3. Tentar combinar tudo perfeitamente
Na hora de decorar, ninguém precisa ter receio de misturar cores, materiais, texturas e estilos. Uma composição mais uniforme também pode funcionar muito bem, mas juntar referências abre caminho para ambientes com personalidade, principalmente quando objetos contemporâneos dividem espaço com heranças de família, lembranças de viagem e obras de arte.
A chave, segundo Paula Passos, está em encontrar pontos de conexão entre os elementos, seja pelas cores, pelas texturas, pelas formas ou pela relação com a arquitetura. Madeira, pedra, cerâmica, vidro e metal cabem na mesma composição sem deixá-la carregada, desde que haja equilíbrio entre os acabamentos e os volumes.
“Gosto de trabalhar com objetos que tenham diferentes materiais, texturas, formas e alturas, que dessa forma irão criar uma composição bacana, sempre buscando equilíbrio”, conta a profissional.
Paula reforça que essa mistura permite que peças de origens diferentes convivam no mesmo ambiente, sem que tudo precise seguir exatamente o mesmo padrão.
4. Deixar o principal de fora: a história de quem mora
Mesmo uma casa impecável pode parecer impessoal quando deixa de lado a história e os interesses do morador, até porque seguir uma referência do Pinterest ou de alguma série de TV não basta para preencher os ambientes.

Por isso, as arquitetas gostam de aproveitar objetos que os clientes já têm, combinando-os com peças contemporâneas e artesanais, como vasos de formas orgânicas, itens de textura marcante e bandejas que organizam pequenos conjuntos.
“Para decorar, não é necessário investir em objetos caros ou assinados para criar algo inédito. Às vezes, só o resgate de uma peça há muito guardada, combinada com outra de desenho com significado, já é o bastante para um dos cantos da casa”, revelam.
5. Achar que a decoração precisa ficar pronta de uma vez
Comprar tudo de uma vez, ou tudo na mesma loja, só para tapar vazios é um caminho certo para a impessoalidade. Algumas das melhores composições surgem com o tempo, conforme os moradores encontram peças de que gostam, trazem lembranças de viagem ou descobrem outras maneiras de organizar o que já possuem.
Para Danielle Dantas e Paula Passos, essa construção gradual deixa a decoração mais autêntica e sem regras fixas, além de dar espaço para experimentar combinações, mudar objetos de lugar e perceber o que funciona melhor em cada ambiente.
“As peças artesanais, por exemplo, ajudam a acrescentar texturas e formas particulares, enquanto livros e bandejas permitem criar composições que podem ser reorganizadas com facilidade. O segredo é observar o conjunto e entender quando um novo elemento realmente acrescenta algo. Gostamos de uma decoração que tenha sofisticação, mas que não pareça excessivamente produzida, que tenha uma certa espontaneidade”, finaliza a dupla.
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