O canteiro central da Avenida Victor Ferreira do Amaral, no Tarumã, em Curitiba, já funciona como pomar a céu aberto: as flores de guabiroba recebem abelhas sem ferrão e as pitangueiras estão com fruto para os pássaros que circulam pela região.
O plantio de árvores frutíferas e de pau-ferro, feito em 2024 e 2025, foi pensado justamente para atrair essa fauna, e os técnicos da Prefeitura já registram o resultado.
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A manutenção feita na terça-feira (3/11) nas 600 árvores do canteiro mostra o que mantém um pomar urbano de pé depois que a muda deixa o viveiro. A lista de espécies nativas escolhidas também serve de referência para quem pensa em paisagismo de quintal ou jardim, a começar pelo cuidado que vem depois do plantio.
Adubo, tutor e poda depois do plantio
Segundo Roberto Salgueiro, responsável técnico pelo Horto Municipal do Barreirinha e pelos plantios viários, o pós-plantio acontece na primavera, depois do inverno, e será repetido daqui a dois meses. Nesta rodada, as 300 árvores frutíferas e as 300 de pau-ferro receberam adubo, troca de tutores e as podas necessárias.
O nitrogênio do adubo sustenta o desenvolvimento da copa, das flores e do tronco, o fósforo estimula as raízes e dá mais sustentação à planta, e o potássio ajuda na formação de frutos e flores. Em árvore de via pública, o tutor trocado na hora certa pesa tanto quanto o adubo, porque ampara o tronco enquanto a raiz ainda ganha firmeza.
Quais espécies entram no pomar
O canteiro reúne araçás, cerejas-do-mato, jabuticabas, pitangas, guabijus, grumixamas, sete-capotes, cabeludinhas, goiabas-serranas, ariticuns, guabirobas, tarumãs, pêssegos-do-mato e uvaias. As outras 300 árvores são de pau-ferro, que completam o conjunto com uma espécie nativa de presença mais robusta.
Nas calçadas laterais da avenida, foram plantados 400 manacás-da-serra, árvores de pequeno porte com floradas multicoloridas, que levam cor ao percurso sem ocupar espaço de copa grande. Para Salgueiro, a expectativa é que em cerca de cinco anos o local tenha uma massa verde mais expressiva, com mais frutas e mais flores.
Um corredor entre remanescentes florestais
Somadas aos manacás, são 1.000 árvores novas formando uma área de conexão entre remanescentes florestais e áreas verdes locais. Na região, ela liga o Bosque do Capão da Imbuia, as áreas preservadas pelo Jockey Club do Paraná e pelo aeroporto do Bacacheri e as matas ciliares dos rios Bacacheri e Atuba, o que permite o deslocamento e a alimentação dos animais, a dispersão de sementes e o aumento da cobertura vegetal num bairro urbanizado.
A arborização urbana também ajuda a reduzir a poluição, controlar a temperatura, amenizar ruídos e manter a umidade do ar em nível adequado, além de abrigar a fauna silvestre. O plantio integra o programa Meio Milhão de Árvores para Curitiba, que tem a meta de plantar 500 mil árvores até o fim de 2028.
O que dá para levar para o jardim de casa
Quem tem quintal pode copiar a lógica do canteiro: misturar frutíferas nativas, como pitangueira, uvaieira e guabirobeira, em vez de repetir uma única espécie, amplia o que o jardim oferece a abelhas e pássaros ao longo do ano.
Antes de escolher a muda, vale conferir o porte adulto, a distância de muros e fiação e a insolação do ponto, e conversar com um paisagista da região sobre qual espécie se adapta ao terreno. O cuidado com o primeiro ano segue a mesma ordem vista no canteiro: tutor firme, adubação e poda de formação.
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