A decoração neoclássica costuma esbarrar num problema de dosagem: molduras, relevos e ornamentos em excesso pesam o ambiente e transformam o apartamento num cenário. No Royal Garden 21, em uma das áreas mais nobres de Curitiba, a solução foi reduzir o contraste e deixar a paleta clara, com variações de branco, cru e creme, fazer o trabalho de unir os cômodos.
O imóvel foi finalizado em setembro e inaugurado na última semana de outubro, depois de uma reestruturação conduzida pela Zanek, marca curitibana de projetos e mobiliário.
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Ele integra a coleção Neoclássico, desenvolvida pela empresa desde 2021, e serve de exemplo de como um projeto de interiores pode manter o repertório clássico sem abrir mão de uma ocupação contemporânea. A seguir, os critérios que sustentam essa composição.
Molduras e tons próximos: o ornamento sem disputa
Quando molduras e detalhes arquitetônicos aparecem na mesma tonalidade das paredes, eles ganham destaque pelo relevo e pela sombra que projetam, não pela cor.

É esse o princípio do projeto: a proximidade entre os tons deixa a riqueza visual por conta das texturas, dos volumes e do movimento das formas, e evita que um elemento chame mais atenção que outro. Para o designer Bruno Zanek, o resultado depende da continuidade de linguagem entre os ambientes.
Texturas, tonalidades e elementos ornamentais seguem uma mesma lógica ao longo do percurso pelo imóvel, e cada escolha precisa fazer sentido dentro do conjunto. Por isso, uma peça isolada pode até ser valiosa, mas só funciona quando conversa com os materiais e as formas ao redor.
Curadoria que mistura mercado de luxo e peça autoral
A seleção de mobiliário e objetos reúne marcas reconhecidas no mercado de luxo, criações da própria Zanek e peças de artistas e fabricantes especializados, com referências de diferentes partes do mundo. O critério, segundo Bruno, passa pelo trabalho artesanal e pelo conceito por trás de cada coleção, incluindo edições limitadas.
Para quem planeja um projeto parecido, a lição prática é priorizar poucas peças com história de execução, em vez de muitas peças de catálogo. Bruno se define como “antitendência”, posição que explica a escolha por uma base atemporal.

Em 18 anos de trabalho, ele afirma ter construído uma linguagem guiada por convicções próprias, o que no Royal Garden aparece em ambientes que exploram nuances, relevos e superfícies em vez de cores de estação.
Base neutra para o morador deixar sua marca
Como o imóvel é entregue com a decoração definida, mas sem conhecer o futuro ocupante, a base neutra funciona também como abertura. Um quadro, um vaso ou uma peça de família encontra lugar sem brigar com o conjunto, e a paleta em branco, cru e creme absorve bem objetos de cores e épocas diferentes.
A proposta da Zanek é resolver previamente grande parte das decisões de montagem da casa, preservando espaço para as referências afetivas de quem vai morar. Nas palavras de Bruno, a ideia é eliminar a fricção do processo de formação de um lar, para que a pessoa chegue com seus detalhes e faça a casa ser sua.
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