A profundidade do assento, a altura do apoio lombar e a distância entre um sofá e outro decidem se duas pessoas conseguem conversar sem erguer a voz. Esse cálculo, que parece técnico demais para quem só pensa em estofado bonito, é o que separa um living confortável de um ambiente que só funciona em foto.
Quando a planta junta cozinha, sala de jantar e living num único volume, esse último cômodo passa a concentrar a função de reunir as pessoas em volta de uma conversa, de um filme ou de uma garrafa de vinho aberta num dia frio. A seguir, a arquiteta Ana Rozenblit, do escritório Spaço Interior, detalha como a disposição dos assentos, a ergonomia das peças e os formatos de sofá mudam a forma como os moradores recebem.
Acompanhe as novidades do Enfeite Decora
O posicionamento dos assentos favorece o convívio
Proximidade para ouvir e falar, somada ao contato visual, é o que sustenta a função social do living.

“Considerando uma planta com a área social integrada, é no living que os anfitriões conduzem seus convidados para vivências mais próximas. Pode ser um encontro entre amigos que não se encontram há algum tempo e querem colocar a conversa em dia, apreciar a companhia ou uma finalidade como aproveitar a lareira nos dias frios e degustação de rótulos de vinhos”, descreve Ana Rozenblit.
Sofás frente a frente, poltronas voltadas para o conjunto principal e mesas centrais ao alcance de quem está sentado reforçam essa interação. A configuração em U, por exemplo, reúne diferentes peças de décor em torno de um núcleo comum, sem deixar ninguém de fora da roda de conversa.
O estofado é protagonista, mas Ana destaca a importância de um ponto central que organize o olhar: a mesa de centro e, de forma mais ampla, o tapete, que ajuda a delimitar o ambiente dentro da planta integrada.
A ergonomia do estofado determina o tempo de permanência
A escolha entre sofás e poltronas depende da área disponível, dos acessos e do estilo da arquitetura de interiores adotado no projeto. Ainda assim, Ana chama atenção para um ponto que nem sempre entra na conversa sobre estética: a comodidade que o móvel precisa entregar a quem vai passar horas sentado ali.

Ergonomia correta no encosto, apoio para a lombar, profundidade adequada e altura do assento que permita apoiar os pés no chão são os critérios que a profissional recomenda avaliar antes de qualquer decisão de cor ou tecido.
“Tendo em vista que a proposta do living é recepcionar as pessoas com um tempo de permanência prazeroso, de forma alguma os sofás e poltronas podem causar incômodo”, afirma a arquiteta, reforçando que a densidade do assento também pesa no bem-estar de quem senta.
Quanto aos formatos, sofás em L organizam cantos e ambientes integrados, já os modelos lineares permitem compor com poltronas posicionadas de frente ou em ângulo. Novamente, a decisão varia conforme a metragem, a circulação e o uso que os moradores pretendem fazer do espaço.
“Uma espuma que afunda compromete a dinâmica do encontro e dificulta o movimento de sentar e levantar”, completa a arquieta.
As formas orgânicas aproximam quem está sentado
Sofás e poltronas de linhas curvas já passaram por diferentes leituras ao longo da história do design, mas voltaram com força à arquitetura contemporânea. Parte dessa volta tem explicação estética, e parte tem explicação de uso: a curva molda a forma como as pessoas se acomodam em torno de um mesmo núcleo.

“As pessoas ficam mais próximas e de uma maneira mais descontraída e informal”, descreve Ana Rozenblit.
O living na varanda amplia a sensação de continuidade
Dentro da área social, o living na varanda vem ganhando espaço tanto pela distribuição do layout quanto por versões mais intimistas do ambiente.

Em apartamentos, o fechamento em vidro com persianas preserva a relação visual com o exterior sem abrir mão da luz e da ventilação natural. Já nas casas, o cômodo pode se estender até o terraço, com vista para o paisagismo e a piscina.
“Essa oportunidade também amplia a percepção de continuidade”, ressalta a arquiteta, ao falar sobre como o living deixa de ser um cômodo fechado e passa a dialogar com o restante da casa, inclusive com o jardim e as áreas externas que compõem o projeto.
| Para mais conteúdos do Enfeitedecora, siga o nosso X (Twitter), Instagram e Facebook,
inscreva-se no nosso canal no Pinterest,
no Google e acompanhe as atualizações sobre decoração, arquitetura, arte e projetos inspiradores. E-mail: [email protected] |





