Uma casa cercada por matagal denso, dentro de uma capital marcada por linhas retas e amplos vazios urbanos. Foi esse contraste que guiou o projeto de paisagismo tropical assinado pelo escritório Depieri Paisagismo para uma residência contemporânea em Brasília.
A demanda da família era clara: morar em uma grande cidade sem abrir mão do contato direto com o verde. Cleber e Arthur Depieri, à frente do escritório, construíram essa resposta a partir da relação entre a arquitetura contemporânea e a vegetação, tratando o entorno da casa como uma extensão do projeto arquitetônico, e não como um acabamento posterior.
Paisagismo que acompanha a verticalidade da fachada
O primeiro ponto de atenção foi a fachada. Como a construção se organiza em três volumetrias distintas, o paisagismo precisava responder a essa verticalidade sem competir com ela.
“Trabalhamos a verticalidade, com a composição de três volumetrias, e destacamos o uso estratégico de palmeiras, aliado a uma rica diversidade botânica que dialoga com os espaços”, explica Arthur Depieri.
O resultado é uma composição em que cada espécie ocupa uma função dentro da leitura arquitetônica. As palmeiras marcam altura e reforçam o eixo vertical da fachada, enquanto folhagens de porte médio e baixo preenchem as camadas intermediárias, evitando que a vegetação vire apenas pano de fundo.
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Vegetação posicionada para não bloquear a vista
Na área externa, o desafio foi outro: garantir vista panorâmica sem transformar o jardim em uma barreira visual. Parte da vegetação foi posicionada estrategicamente em nível inferior ao da piscina, aproveitando a localização elevada da residência.

Essa escolha de nível é o que permite ao paisagismo emoldurar a paisagem ao redor, mantendo a relação aberta entre a casa e o entorno, em vez de fechar o campo de visão de quem está na área de lazer.
Paisagismo orgânico define o jardim abaixo da piscina
Localizado em cota inferior à área de lazer, o jardim segue uma lógica menos controlada e mais próxima do crescimento natural da vegetação.
“Nossa abordagem buscou, intencionalmente, um paisagismo orgânico, que reproduz a singularidade do crescimento e organização da própria natureza”, diz Cleber Depieri.

A composição mistura espécies de diferentes portes e volumetrias, das mais discretas, como íris-da-praia e imbês, até presenças de maior escala, como palmeiras e folhagens densas. O espaço ainda reúne bancos, pufes e uma cesta de basquete, funções de lazer que convivem com a vista privilegiada garantida pela topografia do terreno.
Uma oliveira bicentenária como elemento afetivo
Entre as espécies do jardim, uma oliveira com cerca de duzentos anos chama atenção por um motivo que vai além da estética. A árvore entrou no projeto a pedido direto dos clientes.
“Além de conferir personalidade ao jardim, a espécie acrescenta um componente afetivo à paisagem, relacionado à memória e ao desejo de colher seus frutos no próprio lar”, ressalta Arthur.
É um tipo de escolha que raramente aparece em projetos de paisagismo convencionais, já que árvores de tal porte e idade exigem manejo específico de transplante e adaptação ao solo local, algo que só faz sentido quando há um vínculo pessoal claro com a espécie.
Privacidade garantida por espécies bem posicionadas
Além da estética, a vegetação também cumpre papel funcional na privacidade da casa. Diferentes espécies foram distribuídas em pontos específicos do terreno, criando barreiras visuais sem recorrer a muros ou fechamentos rígidos.

Um exemplo direto está nos filodendros posicionados em frente à janela do pavimento superior. Eles funcionam como uma barreira verde natural, protegendo a rotina dos moradores sem comprometer a integração entre interior e paisagismo.
Entre as espécies escolhidas para essa função estão o Philodendron danteanum, íris e bambu-mossô reto, todas posicionadas próximas às aberturas da casa.
O jardim que entra pela sala de estar
O paisagismo desse projeto não fica restrito à área externa. No centro da residência, um átrio interno funciona como um respiro verde para a área social, visível a partir da sala de pé-direito duplo.

“Observado a partir da sala de pé-direito duplo, o jardim tropical aproxima a natureza dos interiores e ajuda a criar uma atmosfera mais leve”, completa Cleber.
Palmeiras-de-macarthur, costelas-de-adão e alocásias compõem esse jardim interno, contemplado através de um fechamento em vidro que separa o átrio da sala sem isolar visualmente os dois ambientes.
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