Dois volumes independentes, ligados apenas pela área de lazer. Essa foi a estratégia usada pela designer de interiores Luciana Gibaile (@lugibaile) para organizar uma casa de 320 m² em Curitiba, projetada do zero para funcionar como refúgio de fim de semana de um casal de advogados. O programa não se resolveu em um bloco único porque o terreno impunha limites, onde as taxas de permeabilidade do solo precisavam ser respeitadas, e as áreas verdes existentes não podiam desaparecer sob a construção.
Essa divisão em duas edificações otimiza um problema comum em projetos de campo ou de fim de semana, garantindo a privacidade sem isolar completamente os moradores da vida social da casa. Aqui, cada volume assume uma função, e o espaço externo passa a ser o verdadeiro centro de convívio, reunindo os dois blocos ao redor de si.
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Volumetria pensada para o terreno, não contra ele
O grande acerto do projeto está em tratar a topografia e a vegetação como ponto de partida, não como obstáculo. Ao fracionar o programa, Luciana conseguiu preservar árvores e áreas permeáveis que seriam sacrificadas em uma construção compacta e única.

Esse tipo de solução costuma ser mais trabalhoso na etapa de projeto, já que exige coordenar acessos, circulações e infraestrutura entre dois corpos separados, mas o resultado compensa: a casa “respira” dentro do lote, em vez de simplesmente ocupá-lo.
Na fachada, o uso de ACM preto cumpre uma função estratégica. O material reveste e camufla os acessos à garagem e à escada, criando uma superfície limpa, sem recortes visuais desnecessários.

É um recurso técnico que muitos projetos ignoram: esconder elementos de circulação sem torná-los invisíveis para quem usa a casa no dia a dia.
Madeira, linho e marcenaria verde marcam a paleta
A escolha de materiais segue uma lógica de arquitetura contemporânea aplicada com sobriedade. Madeira natural, tecidos em linho e marcenaria em tons verdes conversam com tons arenosos ao longo dos ambientes internos, reforçando a ideia de refúgio conectado à paisagem.

Essa combinação evita o erro comum de projetos de campo que apostam em excesso de rusticidade: aqui, o resultado é contemporâneo, sem abrir mão do aconchego.

O verde na marcenaria, em especial, funciona como um contraponto às cores neutras predominantes. Ele aparece de forma pontual, o suficiente para dar identidade sem competir com a vista externa, que é, afinal, o grande protagonista de uma casa pensada para fins de semana.
Curadoria de mobiliário e arte reforça o conceito

O living recebeu peças da Artefacto, enquanto os ambientes de jantar e da área gourmet ganharam móveis da Green House. A escolha de marcas diferentes para cada função não foi aleatória: cada linha de mobiliário foi selecionada pela afinidade com o conceito da residência e pela atmosfera que ajuda a construir em cada cômodo.

A casa reúne ainda obras de artistas representados pela Galeria Zilda Fraletti, além de uma peça assinada por Marilene Ropelato Zimmerman. A presença dessas obras transforma os ambientes em uma extensão do repertório pessoal dos moradores, um detalhe que costuma fazer toda a diferença entre uma casa decorada e uma casa que conta uma história.
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