Na Praia do Forte, uma casa de 638 m² construída do zero resolveu um problema comum a quem projeta perto de área verde protegida: como abrir a fachada para a paisagem sem perder privacidade nem controle térmico. A resposta apareceu em forma de muxarabi, painel vazado em madeira teca natural com abertura tipo camarão, instalado no pavimento superior da residência.
O terreno tinha uma Área de Preservação Permanente na lateral, e o casal responsável pela obra queria que essa mata fizesse parte do dia a dia da casa, não apenas da vista da janela. Por isso, a implantação em L foi a escolha dos arquitetos para equacionar dois pontos que normalmente entram em conflito: a melhor orientação solar e o acesso visual direto à vegetação preservada.
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Como o muxarabi resolve ventilação, sombra e privacidade ao mesmo tempo

O grande acerto do projeto está em tratar o muxarabi como elemento funcional e não apenas como decorativo. A abertura tipo camarão filtra a incidência direta do sol nos quartos, favorece a circulação natural de ar e ainda protege os ambientes íntimos do olhar externo, sem transformar a fachada em uma barreira fechada.

“A fachada responde ao clima local e muda conforme o uso da casa, ao mesmo tempo em que mantém privacidade e conexão com o exterior”, afirma o arquiteto Guido.
A cobertura em telha colonial de cerâmica crua reforça essa leitura mais rústica e conectada ao entorno. Já o bloco térreo, revestido em pedra travertino silver, abriga um solário com deque e banco em madeira cumaru, criando uma transição sensorial entre o volume superior, mais protegido, e a área social, mais aberta.
Área social sem divisórias reais entre dentro e fora
A sala de estar concentra o núcleo de convivência da casa. Grandes esquadrias de vidro permitem a abertura total para o jardim, e o limite entre interior e exterior praticamente desaparece quando os painéis estão recolhidos. Madeira, pedra natural e acabamentos com aparência bruta compõem uma base resistente à maresia e ao uso intenso, sem depender de revestimentos frágeis que exigiriam manutenção constante.

No mobiliário, a poltrona Mole, de Sergio Rodrigues, já pertencia ao acervo dos moradores e passou a conviver com o par de poltronas Diz, do mesmo designer. A escolha não é apenas estética: reforça a ideia de permanência que guiou o projeto inteiro.
“Buscamos materiais que envelhecessem bem e ajudassem a construir uma casa permanente, sem depender de tendências passageiras”, declara Guido.
Piscina e área gourmet voltadas para a mata preservada
Ao invés de posicionar a piscina como elemento isolado, o projeto colocou a área de lazer, com hidro e deque, de frente para a Área de Preservação Permanente. O resultado é uma sequência contínua entre jardim, piscina e ambientes sociais, todos conectados visualmente à vegetação.

A área gourmet segue essa mesma lógica, funcionando como extensão da varanda e da sala de estar. Refeições, encontros e momentos de descanso acontecem sem barreiras físicas entre os espaços.
“Os moradores queriam uma morada em que os espaços sociais não funcionassem de maneira isolada, mas como partes de um mesmo ambiente de encontro”, diz a arquiteta Anna.

A paleta de cores também trabalha a favor dessa integração. Tons terrosos e neutros evitam competir com o verde da mata, deixando a vegetação como protagonista visual mesmo dentro dos ambientes internos.
Dormitórios protegidos, mas conectados ao exterior
No pavimento superior, os quartos se beneficiam da proteção térmica e visual dos muxarabis, enquanto uma sala íntima de TV oferece alternativa mais reservada aos ambientes sociais do térreo. Na suíte máster, o conforto se estende até um terraço privativo, aproximando o quarto da vegetação sem abrir mão do recolhimento que um dormitório pede.

“A intenção era que os espaços privados continuassem conectados ao entorno, mas com uma sensação maior de recolhimento”, fala Anna.
Madeira tauari no forro e nos painéis de parede reforça o aconchego da suíte, enquanto o piso em mármore bege Bahia satinado aparece tanto no quarto quanto no banheiro principal, criando continuidade entre os ambientes íntimos.

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