Comprar um imóvel para alugar não deveria significar entregar um espaço qualquer. Essa é a lógica por trás da reforma de um duplex de 56 metros quadrados na região da avenida Faria Lima, em São Paulo, assinada pelo escritório ResiliArt Arquitetura. O projeto nasceu de um dado que já não é mais marginal no mercado imobiliário: segundo a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias, imóveis comprados como investimento representam entre 20% e 36% do total de vendas no país.
Esse volume mudou a exigência sobre o que significa reformar para alugar. “Esses imóveis, geralmente constituídos como apartamentos compactos ou estúdios, são, antes de mais nada, um espaço residencial. Por isso, é fundamental que o proprietário entenda que o projeto de reforma precisa entregar uma configuração onde o locatário se sinta bem acolhido e com a percepção de estar em casa”, defende a arquiteta Natália de Souza, responsável pelo escritório.
Um duplex que usa o pé-direito a seu favor
A planta do apartamento já trazia uma vantagem estrutural: o pé-direito duplo, característico dos duplexes, permite tanto amplitude visual quanto separação clara entre os ambientes. “Essa disposição é bem interessante, pois entrega amplitude, em função do pé-direito duplo, e nos permite promover uma separação interessante entre os ambientes do apartamento”, explica Natália.
A paleta escolhida reforça essa sensação de amplitude. Tons neutros dominam o projeto, equilibrados por materiais como granito São Gabriel polido, madeira e detalhes em dourado. É uma combinação pensada para atravessar gostos pessoais diferentes, afinal, um imóvel de locação recebe moradores com estilos distintos ao longo do tempo, e a base neutra funciona como terreno comum para qualquer perfil de morador.
Entrada que organiza antes de decorar
Logo na chegada, o apartamento recebe o morador com uma composição de marcenaria planejada, espelho amplo e um trio de cabideiros. A função é dupla: organizar os itens pessoais assim que a pessoa entra e, ao mesmo tempo, transformar o hall em algo além de simples área de passagem.

Um banco com baú embutido resolve o armazenamento de calçados sem ocupar espaço extra no piso. Segundo a arquiteta Gabrielle Ravaneli, responsável pela execução do projeto, os detalhes de acabamento fazem toda a diferença nessa área de transição: o espelho grande amplia visualmente o hall, enquanto os penduradores garantem praticidade imediata.
Cozinha compacta com bancada estendida
A cozinha em formato U seguiu o layout original entregue pela construtora, mas ganhou ajustes que ampliaram sua funcionalidade. A área de trabalho para preparo de refeições cresceu, e a bancada passou a acomodar também um espaço para refeições rápidas — resolvendo, em um único ponto, cozinha e alimentação do dia a dia.

O granito São Gabriel polido aparece novamente aqui, reforçando resistência para uso diário e mantendo a coerência visual com o restante do apartamento. Nas banquetas, o courino traz textura ao conjunto, suavizando a superfície fria da pedra.
Dormitório integrado sem perder identidade própria
No mesmo pavimento, a marcenaria que começa na entrada se estende até o dormitório, criando um fio condutor visual entre os ambientes. O guarda-roupa embutido acomoda a geladeira ao lado e, na sequência, uma bancada suspensa voltada para atividades profissionais — resolvendo, no mesmo módulo, três funções distintas.

“Estamos falando de uma área integrada, mas que o aproveitamento da planta e a distinção de cada ambiente permitiu uma setorização funcional e gostosa para se viver”, avalia Gabrielle. A cama, também parte do projeto de marcenaria, foi posicionada para captar ventilação natural e garantir vista para o centro financeiro da cidade.
A escada que deixou de ser só estrutura
O acesso ao segundo pavimento acontece por uma escada helicoidal, elemento que se tornou o centro visual do projeto. A pintura em preto fosco transformou o que poderia ser apenas um item funcional em uma peça de personalidade própria. “Sem contar que ela deixou de ser apenas um elemento estrutural para atrair olhares por suas formas curvas”, destaca Ravaneli.

No entorno da escada, mais armários garantem organização, e um suporte aéreo fixado na laje sustenta a TV de forma que a tela fique visível tanto da cozinha quanto do dormitório, uma solução que evita duplicar equipamentos no primeiro pavimento. O canto ainda ganhou uma salinha de estar intimista, com poltrona, tapete orgânico e um trio de mesinhas laterais, pensada para momentos de leitura e descanso.
- Veja também: Pé-direito: por que a altura do teto pode valer mais espaço do que a metragem quadrada da planta?
Área gourmet compacta, mas completa
No pavimento superior, o projeto provou que espaço reduzido não significa abrir mão do lazer. A bancada recebeu churrasqueira de embutir, mesa para seis lugares e cervejeira, um conjunto que sustenta encontros sem depender de área externa ampla. “Para completar, a instalação do ar-condicionado deixa o ambiente muito mais agradável, levando em conta o aumento da temperatura ambiente enquanto a carne é grelhada”, pontua Gabrielle.

Uma segunda TV nesse pavimento reforça a intenção do projeto: fazer da área gourmet um ambiente independente, capaz de receber convidados sem que o restante do apartamento precise ser mobilizado.
| Para mais conteúdos do Enfeitedecora, siga o nosso X (Twitter), Instagram e Facebook,
inscreva-se no nosso canal no Pinterest,
no Google e acompanhe as atualizações sobre decoração, arquitetura, arte e projetos inspiradores. E-mail: [email protected] |





