Um ar-condicionado split bem escolhido pode ter sua eficiência jogada fora por uma instalação malfeita. E o pior: os problemas raramente aparecem no primeiro dia. Eles se acumulam aos poucos, em forma de conta de luz mais alta, mofo na parede ou um compressor que queima antes da hora.
Reunimos aqui os cinco deslizes mais frequentes cometidos na hora de instalar o equipamento e o que fazer para que nenhum deles passe despercebido no seu projeto.
1. Unidade interna no lugar errado
O erro mais comum ao instalar um ar-condicionado split começa antes mesmo da furadeira ligar. Muita gente pede para instalar a unidade interna o mais próximo possível do teto, achando que isso otimiza a distribuição do ar frio. Na prática, esse posicionamento prejudica a circulação e faz o aparelho trabalhar mais para atingir a temperatura desejada.

A distância ideal entre o topo da unidade interna e o teto costuma ficar entre 15 e 20 centímetros. Esse espaço garante que o ar quente do ambiente seja succionado corretamente pela parte superior do equipamento antes de ser resfriado e devolvido ao cômodo. Colar a peça no teto reduz esse fluxo e cria pontos de recirculação de ar já resfriado, o que engana o termostato e aumenta o tempo de funcionamento do compressor.
Além da distância do teto, vale observar a posição em relação às paredes laterais e móveis altos, como armários e estantes. Obstáculos próximos bloqueiam a saída de ar e formam zonas de temperatura desigual dentro do mesmo ambiente.
2. Unidade externa exposta ao sol o dia inteiro
A unidade externa costuma ser tratada como um detalhe menor do projeto, quando na verdade é a parte que mais sofre com a instalação inadequada. Colocá-la em uma parede voltada totalmente para o sol da tarde, sem qualquer proteção, faz o compressor trabalhar em uma temperatura ambiente muito mais alta do que deveria.
Esse esforço extra reduz a eficiência energética do aparelho e acelera o desgaste dos componentes internos. Em climas mais quentes, essa exposição direta pode significar diferença real na conta de energia ao final do mês.
O ideal é buscar posições com sombreamento parcial, como embaixo de uma marquise, varanda ou beiral do telhado. Quando isso não é possível, instalar uma cobertura específica para climatizadores, com espaço suficiente para ventilação, já ajuda a reduzir a incidência solar direta sem prejudicar a troca de calor do equipamento.
3. Dreno mal posicionado, causando gotejamento
Esse é um dos erros que mais geram reclamação depois da instalação pronta. O dreno existe para escoar a água da condensação formada durante o funcionamento do aparelho, e precisa ter inclinação correta para que essa água escoe por gravidade até o ponto de saída externo.

Quando a mangueira de dreno é instalada sem a inclinação adequada, ou com curvas e dobras desnecessárias, a água se acumula dentro da tubulação. O resultado aparece rápido: gotejamento na parede, manchas de umidade no forro e, em casos mais graves, infiltração que compromete a pintura e o gesso ao redor do equipamento.
Um detalhe que costuma passar despercebido é a saída externa do dreno. Ela precisa ficar em local visível e de fácil acesso para limpeza periódica, já que o acúmulo de sujeira e poeira dentro da mangueira é uma das principais causas de entupimento ao longo dos anos.
4. Bitola de fiação subdimensionada
Esse ponto é técnico, mas decisivo para a segurança da instalação. Cada modelo de ar-condicionado split exige uma bitola de fio compatível com a sua potência elétrica, calculada em função da corrente que o equipamento consome durante o funcionamento.
Usar um fio mais fino do que o recomendado, só porque já estava disponível na obra ou porque parece suficiente, é um erro que raramente aparece de imediato. Com o tempo, a fiação subdimensionada esquenta além do normal, o que pode causar queda de energia frequente, mau contato e, em situações mais sérias, princípio de incêndio.
A recomendação técnica varia conforme a capacidade do aparelho em BTUs, mas de forma geral, equipamentos de 9.000 e 12.000 BTUs pedem fios de 2,5 mm², enquanto modelos acima de 18.000 BTUs já exigem bitolas de 4 mm² ou superior. Vale sempre confirmar essa especificação no manual do fabricante antes de fechar a instalação elétrica.
5. Suporte da unidade externa sem nivelamento
Por fim, um erro que parece simples de resolver, mas que compromete diretamente o funcionamento do compressor: o suporte da unidade externa instalado sem nivelamento correto. Esse suporte precisa estar perfeitamente na horizontal, fixado com parafusos adequados ao tipo de parede ou laje onde será instalado.
Quando a base fica inclinada, o óleo lubrificante dentro do compressor se distribui de forma irregular, o que aumenta o atrito interno das peças móveis e reduz a vida útil do equipamento. Além disso, um suporte mal nivelado gera vibração excessiva durante o funcionamento, o que pode soltar parafusos ao longo do tempo e comprometer a fixação de toda a estrutura.
Antes de fixar o suporte de forma definitiva, use um nível de bolha para conferir o alinhamento horizontal e vertical da peça. Esse cuidado, que leva poucos minutos, evita retrabalho e garante que o equipamento funcione dentro das condições ideais recomendadas pelo fabricante.
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