Existe um tipo de erro decorativo que não salta aos olhos de imediato, mas que rebaixa a percepção de qualquer projeto assim que alguém presta atenção. São peças escolhidas com a intenção de sofisticar o espaço e que produzem justamente o efeito contrário.
A seguir separamos quatro exemplos recorrentes, presentes em boa parte das casas brasileiras, que merecem revisão imediata.
Espelho com moldura dourada genérica
O espelho é um dos itens mais eficientes da decoração de interiores. Ele amplia visualmente o ambiente, reflete luz natural e cria profundidade em salas pequenas. O problema não está no espelho, e sim na moldura escolhida.

Modelos de espelhos com acabamento dourado espelhado, sem relevo, sem textura e produzidos em larga escala, por exemplo, aparecem em praticamente qualquer loja de departamento pelo país. Esse tipo de peça carrega um acabamento raso, que reflete a luz de forma plana e sem nuance. O resultado visual remete a decoração de vitrine, não a um projeto pensado.
Por outro lado, espelhos com moldura em latão envelhecido, madeira entalhada ou metal fosco entregam sofisticação real, porque possuem textura e trabalham melhor com a luz do ambiente. O critério aqui é simples: quanto mais a peça parecer produzida em massa, menos ela valoriza o espaço.
Arranjos de flores artificiais com pó acumulado
As flores artificiais resolvem um problema real: manutenção zero e cor permanente em ambientes com pouca luz natural. Até aí, nenhum erro. O problema aparece na conservação.

Um arranjo com pó visível nas pétalas, tecido desbotado pelo sol ou plástico brilhando de forma artificial denuncia abandono. É um dos poucos itens de decoração de ambientes que precisa de manutenção mesmo sendo artificial, e a limpeza costuma ser a etapa mais esquecida da rotina doméstica.
Vale reservar poucos minutos por mês para limpar as folhas com um pano seco ou escova macia. Arranjos de qualidade superior, com tecido e textura mais próxima do natural, também sofrem menos com o acúmulo de poeira e mantêm a aparência por muito mais tempo.
Velas decorativas que nunca são acesas
Velas em conjunto, dispostas sobre bandejas ou centros de mesa, formam uma composição clássica na decoração de interiores. O erro está em tratá-las como peças puramente ornamentais, intocáveis, empilhadas por anos sem nunca acender o pavio.

Uma vela nova, com o pavio intacto e a cera perfeitamente lisa, comunica isso à primeira vista: ali só existe cenografia. Falta vida ao objeto. Acender a vela algumas vezes, mesmo que por poucos minutos, cria uma leve derretida na superfície que dá autenticidade à composição e evita aquele aspecto de produto ainda lacrado.
Além disso, cores neutras como bege, off-white e terracota combinam com praticamente qualquer paleta de parede e evitam contraste forçado com o restante do ambiente.
Tapete pequeno demais para o sofá
Esse é talvez o erro mais frequente em salas de estar, e o que mais compromete a proporção do espaço. Um tapete que cobre apenas o centro do ambiente, sem alcançar ao menos as patas dianteiras do sofá, faz o cômodo parecer menor do que realmente é.

A regra prática usada por profissionais de arquitetura de interiores é simples: o tapete precisa acomodar, no mínimo, as patas dianteiras de todos os móveis principais da composição, sofá e poltronas incluídos. Idealmente, ele também acompanha os pés das mesas laterais e de centro, criando uma área única e coesa.
Tapetes subdimensionados criam uma ilha visual isolada, e isso quebra a sensação de amplitude que toda sala de estar bem resolvida precisa transmitir. O investimento em uma peça maior costuma valer mais a pena do que qualquer outro item avulso comprado depois.
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