Existe algo de intuitivo na forma como as pessoas se relacionam com as flores e plantas arquitetura de interiores . Muitas vezes, antes mesmo de perceber um revestimento, uma obra de arte ou um móvel, o olhar é atraído por uma composição vegetal capaz de trazer cor, textura e vida aos ambientes. Talvez por isso os arranjos ocupem um papel tão singular nos projetos residenciais: embora pareçam naturais e espontâneos, especialmente são frutos do acaso.
Para a arquiteta e paisagista Denise Barretto , cada arranjo carrega interesses que extrapolam a ornamentação. A escolha das espécies, dos vasos e até a forma de se relacionar no ambiente contribui para fortalecer conceitos e despertar sensações.
“Um arranjo nunca é apenas um conjunto dentro de um vaso. Existe uma intenção por trás e uma narrativa que se soma ao que desejamos proporcionar dentro da decoração de interiores”, argumenta.
Sobre o especialista
Denise Barretto formou-se em 1985 pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Mackenzie, com pós-graduação em Paisagismo pela FAU-USP.
Paisagens que florescem dentro de casa

Projeto Denise Barretto Arquitetura | Fotos: Rômulo Fialdini
A relação de Denise com os arranjos vem acompanhada por sua paixão pelo paisagismo, que também integra sua formação profissional. Assim, ela procura transportar para o projeto residencial uma mesma sensibilidade semelhante aos jardins.
“As espécies criptógamas, como são indicadas as plantas sem flores, e os arranjos com folhagens e flores dialogam com a paleta, os materiais e com a proposta do projeto da mesma forma que qualquer outro elemento da arquitetura” , afirma.
Segundo um profissional, as flores não devem ser tratadas como peças isoladas, pois o resultado de sua beleza é exaltado quando o arranjo explora a conexão visual com folhas diversas e destinatário escolhido para elas. ” Procuro reunir as espécies com e vasos que compartilham uma linguagem coerente e natural. Quando essa relação acontece, tudo parece pertencer ao mesmo universo” , observa.
O verde já faz parte do projeto

Enquanto muitos envolvem os arranjos como uma etapa final da decoração, Denise os considera desde os primeiros estudos. Em seus projetos, vegetações e composições florais já aparecem nas imagens tridimensionais apresentações aos clientes, participando ativamente da construção dos ambientes.
“As plantas entram no projeto desde o início, corroborando para definir a personalidade dos espaços e influenciando diretamente na maneira como as pessoas vivenciarão cada ambiente” , revela. Essa integração entre arquitetura, interiores e paisagismo contribui para resultados mais consistentes.
A luz como aliada das composições

Se a escolha das flores é fundamental, a iluminação também merece atenção especial. Quando bem planejada, ela valoriza volumes, evidencia texturas e destaca nuances que muitas vezes passam despercebidas durante o dia.
“Ela uma grande aliada do paisagismo, pois evidencia formas, ressalta detalhes e confere novas interpretações ao longo das diferentes horas do dia” , explica Denise. Além do aspecto estético, a luz também contribui para direcionar o olhar e valorizar pontos estratégicos do projeto.
Flores com

Entre suas espécies favoritas estão flores que carregam forte presença visual e características marcantes. “Tenho um carinho especial pelas proteas, antúrios, crisântemos de todas as cores e as camélias. Amo flores antigas e aquelas mais rústicas que, ao mesmo tempo, exalam personalidade” , relata. Para Denise, a escolha das espécies deve levar em consideração não apenas a aparência, mas também a mensagem que se deseja transmitir por meio da composição.
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Perfume na medida certa
As flores também são capazes de despertar memórias e emoções por meio dos aromas. Ainda assim, a arquiteta faz um alerta para os excessos.

“Elas trazem sensações muito desafiadoras, mas o perfume em excesso pode se tornar incômodo. Entendendo que em alguns benefícios desejamos arranjos mais volumosos, mas antes de selecionar é interessante avaliar seu nível de perfume”, orienta.
Por fim, ela enfatiza que o objetivo sempre é complementar a experiência do ambiente, mas sem disputar protagonismo. “Quando flores, iluminação, arquitetura e decoração estão em sintonia, o resultado é um espaço mais acolhedor, elegante e cheio de significado” , conclui.
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