A cena é familiar para quase todo mundo: você chega em casa, troca de roupa depois de uma saída rápida e se depara com aquele dilema doméstico sem solução aparente. As peças não estão sujas o suficiente para ir ao cesto de roupa, mas também não estão limpas para voltar ao armário. O destino, invariavelmente, é a cadeira do quarto, que vai acumulando camadas ao longo da semana até virar uma espécie de segundo guarda-roupa informal.
A designer sueca Simone Giertz, fundadora do Yetch Studio, enxergou nesse hábito cotidiano a oportunidade para um dos projetos de design de móveis mais comentados dos últimos meses: a Laundry Chair, ou “cadeira de lavanderia”, uma peça que transforma o problema em solução sem abrir mão da estética.
Um móvel que resolve o que o armário não consegue
O conceito da Laundry Chair é direto: um trilho em formato semicircular, fixado à estrutura da cadeira, gira ao redor do assento e pode ser reposicionado na parte traseira do móvel. Ali, as roupas ficam penduradas de forma organizada, enquanto o assento permanece completamente livre para uso. O resultado visual é limpo, sem a sensação de bagunça que a pilha de roupas costuma gerar, e a funcionalidade do móvel não é comprometida em nenhum momento.

Esse tipo de solução, no contexto do design de interiores contemporâneo, reflete um movimento que arquitetos e designers de interiores já observam há alguns anos: a busca por móveis multifuncionais que respondam à rotina real das pessoas, e não a uma versão idealizada do cotidiano. O quarto, em especial, é o cômodo que mais acumula esse tipo de tensão entre o que deveria acontecer e o que de fato acontece.
“Construí esta cadeira por impulso e me apaixonei por ela assim que a coloquei no meu quarto. Foi um daqueles projetos raros que simplesmente se encaixam sem esforço e imediatamente passam a fazer parte da minha rotina diária”, relata Simone Giertz no site da marca.
Do protótipo ao produto: um ano de refinamento
O primeiro protótipo da Laundry Chair foi desenvolvido em 2024 para uso exclusivamente pessoal. Simone compartilhou o processo no YouTube, e a resposta do público foi imediata: o vídeo despertou interesse genuíno de pessoas que se reconheceram no problema. A partir daí, a designer dedicou um ano inteiro ao refinamento do design antes do lançamento oficial.
Esse processo importa. No mercado de design de móveis, a distância entre um protótipo funcional e um produto comercialmente viável costuma ser subestimada. Questões como durabilidade da estrutura giratória, escolha do revestimento, encaixe das peças e acabamento superficial são o que separam uma boa ideia de um produto que de fato permanece no mercado.
No caso da Laundry Chair, Simone optou por madeira maciça na estrutura e estofamento em algodão tipo veludo cotelê, uma combinação que posiciona a peça claramente no segmento de decoração sofisticada, longe da estética utilitária que poderia facilmente ter dominado o projeto.
O veludo cotelê, aliás, é uma escolha que merece atenção. O tecido tem presença forte nos projetos de decoração de quartos em 2025 e 2026, especialmente em tons terrosos e neutros quentes, e dialoga bem com a tendência de materiais naturais e texturas orgânicas que domina o design residencial atual. Uma cadeira com esse acabamento não é apenas funcional: ela compõe o ambiente.
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R$ 5 milhões e um mercado que estava esperando
O preço inicial da Laundry Chair é de US$ 959, o que representa cerca de R$ 5 mil na cotação atual. Desde o lançamento, a marca Yetch Studio já acumulou mais de US$ 995 mil em vendas, algo próximo de R$ 5,2 milhões. Esses números revelam algo que vai além do apelo da novidade: existe uma demanda real e represada por móveis que resolvem problemas domésticos reais com o mesmo capricho estético reservado, geralmente, às peças puramente decorativas.

O grande erro que se comete ao pensar no layout do quarto de casal ou do quarto individual é ignorar o comportamento dos moradores na hora de planejar o mobiliário. Projetos que desconsideram a rotina real acabam gerando ambientes bonitos em fotografia, mas pouco funcionais no dia a dia. A cadeira de Simone inverte essa lógica: ela parte do comportamento já existente e cria uma estrutura que o acomoda com elegância.
O que a Laundry Chair diz sobre o design de interiores atual
A trajetória da Laundry Chair é um recorte preciso de como o design de produtos para casa tem evoluído. Projetos que nascem de observação do cotidiano, desenvolvidos com materiais de qualidade e apresentados com identidade estética clara, encontram um público disposto a pagar por soluções que de fato fazem sentido no espaço onde vivem.
Além disso, a peça levanta uma discussão legítima sobre organização de quarto sem recorrer ao acúmulo de mobiliário. Em apartamentos menores, onde cada metro quadrado precisa trabalhar, um móvel que cumpre duas funções ao mesmo tempo é mais do que uma conveniência: é uma decisão de projeto inteligente.
“Foi um daqueles projetos raros que simplesmente se encaixam sem esforço”, como a própria Simone define. E talvez seja exatamente isso que explica o sucesso: a Laundry Chair não inventa um novo comportamento. Ela apenas oferece, finalmente, um móvel à altura de um hábito que sempre existiu.






