Toda construção começa muito antes da obra. Antes do projeto, antes do revestimento escolhido, antes da primeira decisão técnica, existe uma relação com o mundo ao redor. E foi justamente essa ideia que a Pormade decidiu levar para a Expo Revestir 2026 com o conceito Raízes.
O estande não foi pensado como uma vitrine de produtos. Foi projetado como uma experiência sensorial, um espaço onde design, matéria e propósito se encontram para provocar uma reflexão mais honesta sobre o ato de construir. Marinho Patruni, criador e designer do estande, foi direto ao explicar o ponto de partida: “Antes de qualquer projeto, existe a terra, os recursos naturais e o equilíbrio que sustenta o planeta. Construir também é um ato de consciência.”
Essa premissa orientou cada detalhe do ambiente, da disposição dos espaços à escolha das cores, passando pela forma como o visitante era guiado por dentro do estande.
Da racionalidade ao acolhimento: a transição que define o conceito
O Espaço Imersão da Pormade foi dividido em dois mundos distintos e complementares. Na parte externa, o ambiente apostou em uma estética mais sóbria e racional, evocando o olhar técnico que caracteriza o planejamento arquitetônico, a estrutura, o rigor do projeto. Ali, a experiência era quase cerebral.

Ao cruzar para o interior do espaço, tudo mudava. A atmosfera se tornava mais acolhedora, com elementos naturais, temperatura visual mais quente e estímulos que despertavam sensações menos óbvias. O grande acerto aqui foi justamente não separar esses dois momentos como opostos, mas tratá-los como uma jornada contínua. A transição entre exterior e interior representou, com precisão, o caminho proposto pelo conceito: sair do olhar puramente técnico e reencontrar a conexão humana e natural que orienta qualquer projeto com propósito.
Esse tipo de narrativa espacial é raro em feiras do setor. Na maioria das vezes, estandes de revestimentos e materiais de construção exploram apenas a exibição de produtos. A Pormade escolheu um caminho diferente, e o resultado foi um ambiente de design de interiores que funcionava como argumento.
As cores da Coleção Colors: cada tom com uma razão de ser
A paleta de cores utilizada no Espaço Imersão não foi escolhida por tendência. Cada tonalidade carregava um significado dentro da narrativa do conceito, e isso fez toda a diferença na leitura do espaço.

O azul escuro abriu a experiência representando introspecção e origem. É o tom que remete ao momento de olhar para dentro antes de criar, o ponto zero de qualquer processo criativo. Em design de interiores, essa cor tem a capacidade de criar profundidade e estimular reflexão, especialmente quando usada em grandes superfícies.
A terracota trouxe a terra de volta para a conversa. Mais do que uma tendência consolidada nas paletas neutras e naturais de 2025 e 2026, ela funcionou aqui como símbolo de estrutura e crescimento, a materialização das ideias que saem do campo das intenções e se tornam concretas. Aliás, a terracota aplicada em revestimentos cerâmicos e portas de madeira cria uma coesão visual que poucos materiais conseguem replicar com a mesma profundidade.

O verde entrou como contraponto orgânico, trazendo a ideia de reconexão com a natureza e equilíbrio dentro do ambiente doméstico. Em projetos residenciais, percebemos que essa tonalidade aplicada em superfícies maiores, como paredes ou painéis ripados, ancora o espaço e cria uma sensação de bem-estar imediata.
Já o ocre fechou a narrativa com a dimensão humana: a convivência, a cidade, os espaços que aproximam pessoas. É um tom que dialoga bem com madeira clara, pedras naturais e tecidos de textura rústica, criando ambientes que convidam à permanência.
O que o conceito Raízes diz sobre a arquitetura contemporânea
O grande erro de muitos projetos de interiores hoje é a ausência de narrativa. Escolhem-se materiais pelo custo ou pela aparência imediata, sem considerar o que cada elemento comunica dentro de um espaço. O conceito apresentado pela Pormade na Expo Revestir funciona como um argumento técnico e cultural ao mesmo tempo.

Patruni reforçou esse ponto durante a concepção do projeto: “O espaço foi pensado como experiência sensorial, um lugar onde design, matéria e propósito se unem para lembrar que toda construção começa muito antes da obra.”
Essa frase resume bem o que o mercado de arquitetura e construção ainda tem dificuldade de incorporar na prática: a ideia de que materiais de revestimento, portas, acabamentos internos e paletas cromáticas não são apenas escolhas técnicas. São escolhas que definem como um espaço vai ser sentido, como as pessoas vão se comportar dentro dele e que tipo de relação vão estabelecer com o ambiente ao longo do tempo.
O conceito Raízes colocou essa discussão no centro de uma feira conhecida pela objetividade comercial. E isso, por si só, já representa uma mudança de postura relevante dentro do setor





