Quem acompanha o mercado de construção civil de perto sabe que os indicadores do setor de materiais de construção funcionam como termômetro direto do que está por vir nas obras, nos lançamentos imobiliários e até nas reformas residenciais. E os números de fevereiro de 2026 apontam um movimento positivo: a média de utilização da capacidade instalada das empresas do setor atingiu 74%, crescimento de 4 pontos percentuais em relação a janeiro, segundo levantamento mensal da ABRAMAT.
O avanço, ainda que gradual, é lido pelo mercado como sinal de retomada consistente. Por mais que não seja considerado um salto brusco, é exatamente o tipo de crescimento que sustenta uma recuperação mais sólida, sem a fragilidade de picos isolados.
Um ambiente de cautela com horizonte mais claro
Em fevereiro, 67% das empresas classificaram o desempenho no mercado interno como regular, enquanto 29% consideraram bom ou muito bom. A leitura do momento atual segue moderada, o que é coerente com um cenário macroeconômico ainda em acomodação. Porém, o dado mais relevante está na projeção para março.
Para o mês seguinte, 62% das empresas projetam desempenho bom ou muito bom, contra apenas 5% que avaliam perspectiva ruim. Esse movimento de expectativas é um dos indicadores mais confiáveis para entender a disposição real do setor em ampliar produção, contratar e investir.
Aliás, a pretensão de investimento para os próximos 12 meses permaneceu em 62% em fevereiro de 2026, repetindo o patamar de janeiro. O número por si só pode parecer estável, mas ganha outro peso quando comparado ao mesmo período do ano anterior: em fevereiro de 2025, essa intenção estava em apenas 52%. Dez pontos de diferença em 12 meses indicam que a confiança do setor avançou de forma relevante.
O que sustenta o otimismo do setor
Dois fatores entram como vetores principais para esse cenário mais favorável. O primeiro é a expectativa de início do ciclo de redução da taxa Selic na próxima reunião do Copom. Juros menores significam crédito mais acessível, o que aquece diretamente a demanda por materiais de acabamento, revestimentos, sistemas hidráulicos e toda a cadeia de insumos que abastece tanto grandes construtoras quanto o consumidor final que decide reformar.
O segundo fator é a continuidade de programas habitacionais como o Reforma Casa Brasil, apontado como vetor relevante para a manutenção da demanda. Programas dessa natureza têm impacto direto no consumo de pisos, tintas, argamassas e outros materiais que movimentam o varejo especializado e as lojas de materiais de construção em todo o país.
“Os dados de fevereiro refletem um ambiente de recuperação gradual e expectativas mais positivas para o curto prazo. A possível redução da Selic e a continuidade dos programas habitacionais sustentam esse cenário”, afirma Paulo Engler, presidente executivo da ABRAMAT.
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Cenário externo entra no radar
O levantamento foi concluído antes da escalada das tensões no Oriente Médio, com o ataque conjunto de Estados Unidos e Israel ao Irã registrado no último sábado (28). Esse contexto passa a ser monitorado com atenção pela indústria, já que variações no câmbio e na inflação afetam diretamente o custo de insumos importados, matérias-primas e o próprio ritmo de obras no Brasil.
A ABRAMAT também acompanha a tramitação de propostas sobre a redução da jornada de trabalho na construção civil. Mudanças na estrutura de custos das construtoras podem impactar o ritmo de lançamentos imobiliários e, por consequência, a demanda por materiais.
“O novo contexto internacional e discussões regulatórias internas exigem acompanhamento atento, pois podem influenciar a dinâmica macroeconômica nos próximos meses”, completa Engler.
O que os dados significam para quem está no mercado de reformas e construção
Para arquitetos, designers de interiores e profissionais que trabalham com projetos residenciais e reformas, os números da ABRAMAT traduzem algo prático: a cadeia produtiva está mais aquecida, o que tende a reduzir gargalos de abastecimento e manter os prazos de entrega de materiais dentro de um ritmo mais previsível.
O grande erro de quem planeja uma reforma em períodos de oscilação do setor é adiar decisões esperando um “momento ideal”. O que os dados de fevereiro indicam é que o mercado de materiais de construção está em fase de expansão gradual — e quem antecipa decisões de compra e contratação costuma se beneficiar de condições mais estáveis de preço e disponibilidade.
O Termômetro ABRAMAT é uma pesquisa mensal realizada com empresas associadas à entidade, com o objetivo de captar a percepção do setor sobre o momento atual e as expectativas de curto prazo.





