A claraboia no banheiro deixa de ser um simples recurso funcional quando passa a ser tratada como parte ativa do projeto arquitetônico. Em plantas onde a abertura de janelas laterais é limitada — especialmente em banheiros centrais ou lavabos internos — a entrada de luz zenital resolve um problema prático, mas também cria uma experiência sensorial completamente diferente.
A incidência da luz vinda de cima muda a leitura do espaço ao longo do dia, suaviza sombras duras e elimina a sensação de confinamento comum em banheiros fechados. Além disso, reduz significativamente a dependência da iluminação artificial durante o período diurno, o que impacta diretamente o consumo de energia e o conforto visual.
“É especialmente indicada em banheiros centrais e também quando se busca mais iluminação natural com foco em sustentabilidade, reduzindo o uso de luz artificial durante o dia”, explica Isabella Nalon.
Iluminação zenital: por que a claraboia se comporta diferente da janela comum
O grande diferencial da claraboia no banheiro está na forma como a luz se distribui. Enquanto a janela lateral cria zonas de sombra e áreas superexpostas próximas à fachada, a luz zenital se espalha de maneira mais uniforme, alcançando o fundo do ambiente com menor contraste.

Essa característica melhora a percepção espacial e reforça a sensação de amplitude, além de preservar a privacidade — um ponto sensível em projetos de banheiros urbanos.
“A claraboia traz uma iluminação zenital que, muitas vezes, é superior à de uma janela convencional voltada para a fachada. Ela ilumina mais profundamente o espaço”, observa Marcelo Moura.
O resultado é um banheiro mais claro, visualmente confortável e com leitura mais precisa de cores, volumes e materiais.
Quando a claraboia não é a melhor escolha
Apesar dos benefícios, a claraboia no banheiro não é uma solução universal. Limitações estruturais da laje, coberturas complexas, risco elevado de infiltração ou banheiros muito pequenos podem tornar o recurso desvantajoso.
Outro erro comum é ignorar o contexto climático. Em regiões muito quentes, a abertura mal posicionada ou superdimensionada pode gerar ganho térmico excessivo, comprometendo o conforto.
“Cada caso precisa ser avaliado individualmente, considerando fatores técnicos, estéticos e financeiros, sempre com acompanhamento profissional”, reforça Isabella Nalon.
Aqui, o que realmente faz a diferença não é o recurso em si, mas a qualidade do projeto.
Claraboia, calor e ventilação: o equilíbrio é técnico
O receio em relação ao calor é legítimo, porém controlável. O desempenho térmico da claraboia no banheiro depende diretamente do dimensionamento, da orientação solar e da escolha correta dos materiais.
Vidros difusos, laminados com controle solar, proteção UV ou películas específicas filtram a radiação direta sem bloquear a luz natural. Dessa forma, evita-se o ofuscamento e o superaquecimento.

“O controle começa pelo dimensionamento correto da abertura em relação ao tamanho do ambiente. Vidros adequados ajudam a filtrar luz e calor de forma eficiente”, explica Isabella.
Além disso, a claraboia pode atuar como aliada da ventilação quando integrada a outras aberturas.
“O ideal é associar a claraboia a algum tipo de ventilação permanente. O ar quente sobe e sai pela abertura superior, aumentando a eficiência do sistema”, orienta Marcelo Moura.
Materiais e vedação: onde muitos projetos falham
Na escolha do material, segurança, durabilidade e conforto térmico caminham juntos. Vidros laminados temperados oferecem maior resistência a impactos e reduzem riscos, além de aceitarem tecnologias de controle solar.
“O vidro laminado temperado garante segurança e durabilidade. Hoje, filmes reflexivos podem reduzir o calor em até 60%”, afirma Marcelo.
No entanto, o grande erro aqui costuma estar na execução. A vedação da claraboia no banheiro é o ponto mais crítico do sistema. Falhas nessa etapa resultam em infiltrações, patologias na laje e custos elevados de manutenção.
A instalação deve prever inclinação adequada para o escoamento da água e uma mureta acima do nível das águas pluviais.
“Ela precisa estar acima do nível de escoamento para garantir que a água siga para fora, mesmo em situações extremas”, alerta Marcelo.
Luz natural e revestimentos: quando o material vira protagonista
A luz zenital interfere diretamente na forma como os materiais são percebidos. Texturas ganham profundidade, relevos se tornam mais evidentes e cores aparecem de maneira mais fiel do que sob iluminação artificial.
“A luz natural vinda de cima valoriza os materiais, mas também evidencia imperfeições”, destaca Isabella Nalon.
Por isso, banheiros com claraboia dialogam melhor com superfícies artesanais, pedras naturais, revestimentos texturizados e acabamentos que assumem sua materialidade sem tentar escondê-la.
Nesse sentido, a claraboia não apenas ilumina, mas redefine a linguagem estética do ambiente.
Manutenção e uso consciente da claraboia no banheiro
Antes de decidir pela claraboia no banheiro, é essencial considerar a manutenção. Limpezas periódicas, inspeção da vedação e acesso facilitado à cobertura são fatores que garantem longevidade ao sistema.
“Se o acesso para limpeza for difícil, vale repensar essa decisão”, pontua Isabella.
Quando bem planejada, a claraboia não gera dor de cabeça. Pelo contrário: transforma o banheiro em um espaço mais saudável, confortável e conectado ao ritmo natural do dia.





