Pouca gente percebe, mas os bastidores de um bom projeto de interiores se assemelham muito à lógica de uma operação industrial bem ajustada. Existe método, controle, leitura de processos e, sobretudo, responsabilidade sobre cada decisão tomada. É justamente nesse ponto que a trajetória de Alexandre Scaramal se diferencia. Antes de ingressar no universo da decoração de interiores e do design de ambientes, ele construiu carreira em multinacionais onde qualidade, eficiência e melhoria contínua não eram conceitos abstratos, mas métricas reais de sobrevivência.
Engenheiro químico de formação, Alexandre desenvolveu sua atuação profissional em áreas diretamente ligadas à gestão da qualidade, processos produtivos e liderança técnica. Ao longo desse percurso, aprendeu a estruturar fluxos, conduzir equipes e, principalmente, interpretar falhas como oportunidades de refinamento. Essa visão analítica, amadurecida fora do setor criativo, tornou-se o principal ativo quando decidiu migrar para um território novo: o mercado de móveis planejados, arquitetura de interiores e alto padrão residencial.
Da indústria ao design: uma transição guiada por propósito
A decisão de empreender não surgiu como ruptura, mas como consequência natural de um processo de reposicionamento pessoal e profissional. Embora outros segmentos tenham sido considerados, foi no universo do morar que Alexandre encontrou um campo fértil para aplicar tudo aquilo que havia aprendido, agora sob uma ótica mais sensível e relacional. Afinal, ao contrário da indústria pesada, o design de interiores lida diretamente com expectativas, afetos e estilos de vida.
Nesse sentido, a escolha pela Dell Anno não foi casual. A marca se apresentou como uma plataforma madura, com discurso consistente, estética alinhada ao contemporâneo brasileiro e uma leitura precisa das transformações do consumo. Moda, comportamento e arquitetura aparecem integrados, não como tendências passageiras, mas como linguagem estruturante. Para quem vinha de um histórico de excelência técnica, esse alinhamento entre forma e conteúdo foi determinante.
Um showroom pensado como experiência — e não como vitrine
A Dell Anno Pacaembu nasce sob uma premissa clara: oferecer mais do que produtos, entregar experiência de projeto. Instalado em um ponto simbólico da capital paulista, o showroom de 300 m² na Avenida Pacaembu foi concebido como espaço de imersão. Cada ambiente apresenta soluções completas para cozinhas, dormitórios e áreas sociais, sempre com uma leitura minimalista, atemporal e funcional.
Aqui, o grande erro comum — tratar a loja como simples exposição — é evitado. O espaço funciona como um laboratório de decisões, onde o cliente compreende materiais, fluxos e possibilidades de personalização. Nada é aleatório. A disposição dos ambientes, a iluminação e a narrativa visual seguem a lógica de quem entende que decoração de alto padrão exige coerência entre estética, uso e durabilidade.
Gestão orientada pela escuta e pela confiança
À frente da operação, Alexandre imprime um modelo de liderança pouco ruidoso, porém extremamente consistente. O foco está na experiência do cliente, conduzida por escuta ativa, entendimento profundo das demandas e respeito ao contexto de cada projeto. Em vez de respostas prontas, o processo privilegia diagnósticos bem feitos. Isso reduz ruídos, evita retrabalho e fortalece vínculos — algo essencial em um setor onde a confiança é parte do produto.
Ao lado do sócio José Vitor Dourado Monteiro, responsável pela estruturação de processos e gestão de performance, forma-se uma dupla complementar. Enquanto um mantém o olhar estratégico e relacional, o outro assegura que os indicadores sustentem o crescimento. Dessa forma, inovação e eficiência caminham juntas, sem comprometer a identidade da marca nem a qualidade da entrega.
A loja como plataforma de relacionamento
Mais do que um ponto físico, a Dell Anno Pacaembu opera como uma plataforma de relacionamento com arquitetos, designers de interiores e clientes finais. O objetivo não é acelerar vendas, mas construir parcerias duradouras, baseadas em clareza, previsibilidade e resultado. Em um mercado cada vez mais saturado de promessas estéticas, essa postura se destaca justamente por fugir do excesso.
Para Alexandre, empreender no setor de design de interiores não significa apenas abrir uma loja, mas participar ativamente da transformação da forma como as pessoas consomem arquitetura e decoração. Trata-se de aplicar inteligência de gestão a um universo criativo, respeitando o tempo do projeto, a singularidade do cliente e a importância do detalhe bem resolvido.





