O debate sobre resíduos plásticos deixou de ser apenas ambiental e passou a ser também cultural. Afinal, o que antes era descartado de forma invisível agora exige soluções visíveis, inteligentes e responsáveis. É nesse contexto que surge a nova cadeira sustentável da Tramontina, desenvolvida com plástico retirado do litoral brasileiro.
A peça integra a linha Oceano +Clean, projeto que incorpora resíduos coletados em praias e áreas costeiras à fabricação de móveis. Assim, aquilo que polui ecossistemas marinhos ganha nova função dentro de casas, varandas e espaços corporativos.
Mais do que um lançamento pontual, trata-se de um posicionamento estratégico dentro do design contemporâneo.
Oceano +Clean: do mutirão ambiental ao mobiliário
A matéria-prima da cadeira é resultado de mutirões realizados por organizações parceiras que atuam na limpeza de praias. Em 2025, a empresa alcançou a marca de 1.000 toneladas de plástico reciclado reaproveitado em suas linhas.
Esse dado ganha ainda mais relevância quando analisamos o cenário global. Hoje, o plástico representa cerca de 85% dos resíduos encontrados nos oceanos. Estimativas internacionais indicam que milhões de toneladas chegam às águas todos os anos — o equivalente a um caminhão de lixo despejado por minuto.
Dessa forma, o projeto Oceano +Clean não atua apenas na reciclagem industrial, mas também na redução de impactos ambientais diretos.
Engenharia de materiais: resistência e rastreabilidade
A nova cadeira combina plástico coletado do litoral com polipropileno reciclado e fibra de vidro, garantindo maior durabilidade estrutural. Segundo a fabricante, o modelo suporta até 154 kg e mantém estabilidade mesmo em áreas externas.
Um ponto relevante é a rastreabilidade: todo o plástico reciclado utilizado tem origem 100% identificável. Isso fortalece a transparência do processo produtivo e reforça o compromisso com a economia circular no design de móveis.
“A Cadeira Marina traz para a linha Oceano +Clean uma proposta mais acessível, sem abrir mão da qualidade e do propósito sustentável que nos orienta. É um produto que populariza o acesso ao design responsável”, destaca Igor Arregui, diretor da Tramontina.
Ou seja, o objetivo não é criar uma peça conceitual restrita a nichos específicos, mas ampliar o alcance do mobiliário com impacto ambiental reduzido.
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Sustentabilidade como estratégia, não tendência
O lançamento também dialoga com outras frentes da empresa voltadas ao uso de plástico reciclado pós-consumo (PCR) e materiais reaproveitados. Linhas como ECO e Circular Economy integram a plataforma Tramontina Transforma, que reúne iniciativas de reflorestamento, gestão ambiental e inovação industrial.
Essa abordagem indica uma mudança estrutural no setor moveleiro brasileiro. Em vez de tratar a sustentabilidade como diferencial estético, ela passa a compor a engenharia do produto desde sua origem.
Aliás, o consumidor contemporâneo já observa esse movimento. A busca por móveis sustentáveis, design com propósito e materiais reciclados na decoração cresce tanto em ambientes residenciais quanto corporativos.





