Nem toda flor consegue ser delicada e impactante ao mesmo tempo. Contudo, a boca-de-leão ocupa exatamente esse espaço raro no universo do paisagismo: uma planta de presença forte, mas fácil de integrar em diferentes estilos de jardim. Seu nome curioso vem do formato das flores, que se abrem quando pressionadas, lembrando uma pequena boca. Porém, por trás da aparência lúdica, existe uma espécie versátil, resistente ao frio moderado e extremamente decorativa.
Aliás, quando bem posicionada, a boca-de-leão funciona quase como um elemento arquitetônico vegetal, criando ritmo, profundidade e contraste em canteiros, bordaduras e vasos.
Características da boca-de-leão que encantam no paisagismo
A boca-de-leão (Antirrhinum majus) é uma planta herbácea de ciclo anual ou bienal, dependendo do clima. Seu crescimento é ereto, com hastes que podem variar de 20 cm a mais de 1 metro, conforme a variedade escolhida.
As flores surgem em espigas densas, com coloração que vai do branco ao amarelo, passando por tons de rosa, vermelho, laranja, roxo e mesclas bicolores. Essa diversidade cromática permite composições sofisticadas, desde jardins clássicos até propostas mais contemporâneas.
No paisagismo, sua verticalidade é especialmente valorizada. Enquanto muitas flores ocupam o plano horizontal, a boca-de-leão “desenha” o espaço para cima, equilibrando canteiros dominados por folhagens baixas.
Luz, clima e posicionamento ideal
Para florescer com vigor, a boca-de-leão precisa de sol pleno ou, no máximo, meia-sombra com boa luminosidade. Quanto mais luz direta, mais intensa tende a ser a floração.
Em relação ao clima, a planta prefere temperaturas amenas e, por isso, desenvolve-se melhor no outono, inverno e início da primavera, especialmente em regiões de clima subtropical ou temperado. Em locais muito quentes, o cultivo é possível, mas a floração tende a ser mais curta.
Segundo o paisagista Luciano Zanardo, “a boca-de-leão responde muito bem quando usada em áreas bem ventiladas e com sol direto, funcionando como flor estrutural em canteiros e também como ponto de destaque em vasos altos”.
Solo, regas e nutrição: o equilíbrio é essencial
O solo ideal para a boca-de-leão prosperar deve ser fértil, leve e bem drenado. O excesso de umidade nas raízes compromete o desenvolvimento e favorece doenças fúngicas. Por isso, a drenagem é um cuidado inegociável, especialmente no cultivo em vasos.

As regas devem ser regulares, mantendo o solo levemente úmido, mas nunca encharcado. Em períodos mais frios, o intervalo entre as regas pode ser maior. Para estimular a floração contínua, a adubação equilibrada faz diferença. Fertilizantes ricos em fósforo ajudam na formação das flores, enquanto o excesso de nitrogênio pode resultar em muitas folhas e poucas hastes florais.
A engenheira agrônoma e paisagista Rayra Lira orienta que “uma adubação leve e frequente mantém a planta saudável e prolonga o período de floração, especialmente quando as flores secas são removidas com regularidade”.
Poda e manutenção para prolongar a floração
Um dos segredos para manter a boca-de-leão bonita por mais tempo está na poda de limpeza. A retirada das flores murchas estimula a emissão de novos botões e evita que a planta concentre energia na produção de sementes.
Além disso, podas leves ajudam a manter o porte mais compacto e evitam que as hastes fiquem excessivamente alongadas e frágeis.
Boca-de-leão no paisagismo: como usar com intenção estética
No paisagismo, a boca-de-leão é extremamente versátil. Em canteiros, funciona bem no plano intermediário ou ao fundo, criando uma transição elegante entre arbustos e plantas mais baixas. Em bordaduras, as variedades anãs trazem cor sem comprometer a circulação visual.
Em vasos, a planta ganha destaque quando usada sozinha ou combinada com folhagens neutras, que valorizam o desenho das flores. Jardins de inspiração romântica, campestre ou clássica se beneficiam especialmente da presença da boca-de-leão, mas ela também pode ser usada de forma pontual em projetos contemporâneos, criando contraste com linhas retas e materiais minerais.
Dessa forma, a planta deixa de ser apenas ornamental e passa a atuar como elemento de composição espacial.





