Em um cenário em que apartamentos compactos exigem cada vez mais estratégia, o uso da cor certa pode redefinir completamente a percepção do espaço. Foi exatamente esse o ponto de partida do projeto deste apartamento de 60 m² em Moema, assinado por Mari Milani. A arquiteta escolheu a tonalidade Cloud Dancer, eleita como cor do ano 2026 pela Pantone, para estruturar uma narrativa visual que equilibra leveza, funcionalidade e personalidade.
Mais do que um branco, Cloud Dancer surge como uma base sofisticada. O tom arejado atua como amplificador da luz natural e cria um pano de fundo delicado para móveis de curvas suaves e marcenarias estratégicas. O resultado não é apenas estético: é sensorial.
Cloud Dancer como estratégia de amplitude
Em plantas compactas, o erro mais comum é apostar em contrastes excessivos ou cores que fragmentam visualmente o ambiente. Aqui, a escolha por um branco sofisticado e levemente aquecido garante continuidade e fluidez.

A arquiteta não utiliza a cor de forma neutra ou passiva. Ao contrário, ela a transforma em elemento estruturante. Paredes, marcenaria e superfícies dialogam entre si, permitindo que texturas e formas orgânicas ganhem protagonismo.
Aliás, a integração entre sala, cozinha e hall reforça essa intenção. A ausência de divisões visuais rígidas amplia o campo de visão e, consequentemente, a percepção espacial. O branco, nesse contexto, não é vazio — é expansão.
Design orgânico: curvas que acolhem
Se a cor traz leveza, as formas garantem movimento. O projeto aposta no design orgânico, perceptível no buffet do hall, no rack e na bancada de refeições.
As curvas não são meramente decorativas. Elas cumprem uma função clara: suavizar a circulação e criar transições naturais entre os ambientes. Em espaços reduzidos, linhas retas em excesso podem gerar rigidez. Já as formas arredondadas diluem limites e promovem sensação de acolhimento.

Essa fluidez se conecta à proposta de uma moradora jovem, que precisava de um lar funcional, mas também afetivo. Assim, o romantismo aparece de forma sutil, nunca literal.
Marcenaria inteligente e soluções invisíveis
Um dos pontos mais relevantes do projeto está na inteligência construtiva. Em um apartamento compacto, cada centímetro precisa trabalhar a favor da rotina.

O quadro de distribuição elétrica foi mimetizado em um painel ripado, evitando interferências visuais. Já na cozinha integrada com ilha, a passagem do gás pelo piso liberou paredes e ampliou a capacidade de armazenamento. São decisões técnicas que não aparecem à primeira vista, mas transformam o uso diário.
A substituição da mesa tradicional por uma base suspensa reforça a circulação livre. Essa escolha, além de contemporânea, evita bloqueios visuais e garante versatilidade para receber.
Materiais que elevam o projeto
A sofisticação surge na escolha criteriosa de acabamentos. A lâmina sinterizada com estética de mármore Calacata traz elegância sem comprometer a durabilidade. Já a marcenaria com referências provençais adiciona delicadeza à cozinha e à lavanderia integrada.
Esse contraste entre contemporâneo e clássico é conduzido com equilíbrio. Nada é excessivo. Tudo conversa.
Dormitório multifuncional e luz natural estratégica
No dormitório, a funcionalidade assume papel central. A bancada em “L” posicionada sob a janela aproveita ao máximo a iluminação natural, favorecendo a rotina de estudos.

Nichos e armários aéreos substituem volumes pesados. Assim, o ambiente permanece leve, organizado e adaptável. Em imóveis de metragem reduzida, a verticalização do armazenamento é uma solução eficiente — desde que não comprometa a respiração visual do espaço, o que foi cuidadosamente evitado aqui.
Integração como conceito central
Mais do que unir ambientes, o projeto integra funções. Sala, cozinha e área de refeições conversam em continuidade. O uso consistente da Cloud Dancer garante unidade, enquanto texturas e curvas introduzem dinamismo.

O resultado é um apartamento que parece maior do que seus 60 m² sugerem. Contudo, a amplitude não é apenas física — é emocional.





