No Enfeite Decora, acompanhamos de perto as mentes que estão moldando o novo morar brasileiro. Hoje, destacamos o trabalho de Amanda Brandão, uma arquiteta que domina o que chamamos de ‘Luxo Consciente’. Analisando sua trajetória de mais de 70 projetos, percebemos que o segredo de seus espaços não está apenas na estética impecável, mas em um método raro de escuta ativa que transforma casas em refúgios reais.
Com formação urbanística, experiência em diferentes escalas de projeto e foco no cotidiano, a arquiteta desenvolveu uma atuação marcada por coerência técnica, conforto sensorial e decisões conscientes. A arquitetura de alto padrão raramente nasce apenas da estética. Por trás de cada residência que transmite equilíbrio e sofisticação existe uma estrutura invisível feita de método, decisões técnicas consistentes e, sobretudo, compreensão humana. É nesse ponto que a trajetória de Amanda Brandão se diferencia: sua prática não se apoia apenas na forma, mas na construção cuidadosa de processos.
Aos 17 anos, quando decidiu seguir o caminho da arquitetura, a escolha parecia natural — uma combinação entre raciocínio lógico e sensibilidade visual. Contudo, com o tempo, o que se revelou decisivo não foi apenas o domínio das proporções ou dos materiais, mas a capacidade de interpretar desejos, expectativas e modos de viver. Assim, sua atuação foi se consolidando como uma arquitetura residencial contemporânea guiada por método, mas profundamente conectada às pessoas.
Formação prática e refinamento de olhar
Antes de fundar o próprio escritório, Amanda vivenciou duas experiências complementares que moldaram sua identidade profissional. Em um estúdio de menor porte, participou integralmente das etapas de projeto — da concepção à obra. Esse contato direto com execução, fornecedores e decisões técnicas ampliou sua percepção sobre o impacto real de cada escolha.

Posteriormente, ao integrar a equipe de Débora Aguiar, mergulhou em projetos de residências de alto padrão altamente personalizadas. O contraste entre estrutura enxuta e grande escala refinou sua autonomia criativa. Se antes o aprendizado era operacional, ali passou a compreender a potência da liberdade conceitual aliada ao rigor técnico.
Esse percurso consolidou uma convicção: conceito e viabilidade não podem caminhar separados. A arquitetura precisa ser pensada de forma integrada, considerando desde o eixo visual até o planejamento financeiro.
Linguagem contemporânea de baixo contraste
Ao longo de dez anos, com mais de 70 projetos desenvolvidos, Amanda construiu uma assinatura clara. Sua arquitetura contemporânea privilegia baixo contraste, eixos bem definidos, circulação fluida e integração com o paisagismo. Materiais naturais, paleta neutra e texturas delicadas não aparecem como tendência passageira, mas como estratégia de atemporalidade.
Em vez de composições cenográficas, os espaços são desenhados para o uso cotidiano. A luz natural é explorada como elemento estruturante. As transições entre interior e exterior são suavizadas. Dessa forma, o conforto não é apenas visual — é sensorial.
A arquiteta resume sua abordagem ao afirmar: “Acredito em uma arquitetura pensada para pessoas reais, existe um universo de expectativas, dúvidas e anseios que precisa ser considerado. Por isso, faço questão de trabalhar acompanhando todos os processos e com atenção rigorosa aos detalhes.”
Essa declaração evidencia um ponto central: o método não engessa a criatividade. Pelo contrário, organiza o processo para que a experiência final seja coerente.
Escuta ativa e planejamento como pilares
Em projetos de arquitetura e interiores de alto padrão, a complexidade costuma ser proporcional às expectativas. Por isso, a escuta ativa torna-se ferramenta essencial. Amanda estrutura seus projetos a partir de conversas aprofundadas, análise de rotina e compreensão financeira desde as primeiras etapas.

Esse alinhamento reduz ruídos e antecipa decisões estratégicas. Logo, o que poderia se tornar conflito durante a obra transforma-se em previsibilidade e controle.
Além disso, a relação com fornecedores e equipes é conduzida sob a mesma lógica de proximidade e responsabilidade técnica. O resultado não é apenas uma obra concluída, mas um processo conduzido com clareza.
Arquitetura como construção de confiança
Hoje, à frente do Amanda Brandão Arquitetura e Interiores, com sede em São Paulo, a profissional celebra um escritório estruturado e uma equipe consolidada. Contudo, mais do que números ou portfólio, o que marca sua trajetória é a coerência.
Em um mercado onde o termo arquitetura de luxo muitas vezes é associado apenas a materiais nobres ou metragem generosa, Amanda reforça que o verdadeiro alto padrão está na precisão do método, na consistência do processo e na sensibilidade em interpretar vidas reais.
A expansão para projetos internacionais surge como próximo passo natural, mas sem romper com o princípio que atravessa sua década de atuação: arquitetura não é apenas construção — é mediação entre técnica e emoção.





