Em bairros dinâmicos como Pinheiros (SP), morar em um imóvel compacto não significa abrir mão de identidade. Pelo contrário! Neste apartamento de 68 m², o desafio não era apenas reformar — era traduzir estilo de vida em arquitetura. Empresária do ramo têxtil e praticante de ioga, a moradora desejava um espaço que unisse criação, introspecção e convivência em equilíbrio.
O projeto, assinado pelo Studio 92 Arquitetura, parte de um princípio essencial no morar contemporâneo: integrar para ampliar, personalizar para acolher.
📌 Por que escolhemos este projeto?
Selecionamos este apartamento em Pinheiros porque ele exemplifica uma tendência crescente na arquitetura urbana: transformar metragem enxuta em experiência espacial completa. A combinação entre marcenaria inteligente, paleta autoral e integração fluida mostra como decisões técnicas bem fundamentadas geram impacto real na qualidade de vida.
Integração como estratégia de amplitude
Ao eliminar barreiras físicas entre cozinha e sala, as arquitetas Debora Terra e Jessica Lucas apostaram na integração dos ambientes sociais como eixo central do projeto. Contudo, não se trata apenas de derrubar paredes. A solução ganha sofisticação na forma como a circulação foi organizada.

A bancada em balanço com cantos arredondados cumpre dupla função: conecta cozinha e living e, ao mesmo tempo, suaviza a geometria do espaço. Essa escolha reduz arestas visuais e melhora o fluxo — detalhe crucial em plantas compactas.
“A integração precisava respeitar a rotina da moradora, que trabalha em casa e recebe amigos. Cada elemento foi pensado para ter mais de uma função”, explicam Debora Terra e Jessica Lucas.
Assim, a marcenaria deixa de ser complemento e passa a ser protagonista.
Marcenaria multifuncional: cada centímetro importa
Em projetos compactos, o improviso compromete a estética e a funcionalidade. Aqui, a solução foi investir em marcenaria sob medida como ferramenta arquitetônica.

A lavanderia, por exemplo, foi camuflada dentro de um armário na área interna. Essa decisão preserva a leitura limpa do ambiente e evita ruídos visuais. Já o segundo dormitório foi integrado ao living para funcionar como ateliê de costura e escritório, refletindo a atuação da moradora no setor têxtil.
O espaço conta com cama de casal embutida e painéis tipo camarão, permitindo isolamento total quando necessário. A flexibilidade, portanto, não é estética, é estrutural.
A paleta de cores como identidade visual
Se a planta é racional, a paleta é emocional! O projeto assume o rosa como fio condutor, mas o utiliza com maturidade. No hall, o recurso de color block cria impacto imediato e estabelece personalidade logo na entrada. Já a cozinha totalmente laqueada reforça a ousadia cromática, contrastando com o piso de microcimento terracota e detalhes em madeira clara.

Essa composição evita saturação ao equilibrar tons quentes com materiais naturais. O resultado é vibrante, mas não excessivo. Aliás, a escolha do microcimento em terracota cumpre papel técnico importante: continuidade visual. Ao eliminar rejuntes, o material amplia a sensação espacial e cria base neutra para o restante do décor.
Espaço para o corpo e para a mente
A prática de ioga da moradora não foi tratada como detalhe. A sala abriga uma área dedicada à meditação e exercícios funcionais — uma decisão que transforma o living em espaço híbrido.

Em vez de criar um cômodo isolado, o projeto integra bem-estar à rotina doméstica. Essa abordagem reforça uma mudança contemporânea: a casa precisa acomodar múltiplas versões do cotidiano.
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Área íntima: refúgio em verde pastel
Se o rosa domina a área social, a suíte propõe desaceleração. Aqui, a paleta migra para o verde pastel combinado à madeira, criando atmosfera mais introspectiva.

A marcenaria aberta, inspirada na exposição de roupas em lojas, dialoga diretamente com o universo profissional da moradora. Além disso, a bancada-baú amplia a circulação e agrega armazenamento sem comprometer leveza visual.
A ausência de portas no armário reforça o conceito de fluidez e elimina barreiras desnecessárias. O quarto, portanto, assume caráter mais orgânico e menos compartimentado.
Materialidade e coerência estética
Um dos méritos do projeto está na coerência entre escolhas estéticas e estilo de vida. O uso de madeira clara aquece o conjunto e evita que o rosa se torne dominante demais. Já os cantos arredondados aparecem como recurso recorrente, criando continuidade formal.

O equilíbrio entre design funcional, paleta autoral e marcenaria inteligente demonstra maturidade projetual. Não há elementos gratuitos — cada decisão responde a uma necessidade concreta.





