Há plantas que cumprem o papel de complemento. Outras, entretanto, assumem protagonismo absoluto no ambiente. A calathea, também conhecida como planta-zebra, pertence claramente à segunda categoria. Com folhas amplas, desenhos gráficos e contraste marcante entre verde profundo e tons arroxeados, ela não apenas ocupa espaço — ela estrutura visualmente a decoração.
Sua presença é cenográfica, mas delicada. Tropical, exuberante e sensível à luz, a calathea na decoração se tornou escolha recorrente em projetos que valorizam textura, movimento e uma estética orgânica mais refinada. Contudo, antes de incorporá-la ao décor, é fundamental compreender sua origem, suas exigências e o modo correto de explorá-la como elemento arquitetônico vivo.
A origem tropical que molda sua beleza
A calathea é uma planta ornamental nativa da América Latina, especialmente do Brasil e do Peru, onde cresce sob a copa densa das florestas tropicais. Esse detalhe não é apenas botânico e ele explica quase tudo sobre seu comportamento e sua aparência.

Acostumada à luz filtrada pelas árvores e à alta umidade do ar, a planta-zebra desenvolveu folhas largas, com padrões intrincados que parecem pintados à mão. O verso arroxeado é um recurso natural para absorver melhor a luminosidade difusa da mata fechada. Assim, sua estética exótica não é mero capricho: é resultado direto de adaptação ecológica.
Além disso, a sensibilidade à luz cria um fenômeno curioso. Durante o dia, suas folhas se abrem; à noite, fecham-se suavemente, como se a planta respirasse o ambiente. Esse movimento discreto confere dinamismo ao espaço e reforça sua fama como planta ornamental para interiores.
Características que fazem da calathea um destaque no design de interiores
O impacto visual da calathea está concentrado principalmente em suas folhas. Dependendo da espécie — como a Calathea orbifolia, a Calathea ornata ou a Calathea zebrina — os desenhos variam entre listras prateadas, traços rosados e padronagens que lembram pinceladas artísticas.
A arquiteta e paisagista Denise Shiguematsu observa que “plantas com folhas marcantes, como a calathea, funcionam quase como obras de arte naturais dentro do ambiente. Elas criam textura e profundidade sem a necessidade de muitos objetos decorativos ao redor”.
Além da estética, há também uma qualidade funcional. Como planta tropical, a calathea contribui para a umidificação do ambiente e auxilia na melhora da qualidade do ar, especialmente em espaços climatizados. Entretanto, seu cultivo exige atenção.
- Veja também: Pragas nas plantas: o guia essencial para manter folhas saudáveis e livres de infestação
Cuidados essenciais para manter a calathea exuberante
Quem escolhe uma calathea em casa precisa compreender que está adotando uma espécie que aprecia rotina e equilíbrio.
Iluminação
A regra é clara: luz abundante, porém indireta. A exposição direta ao sol pode queimar as folhas e comprometer suas cores vibrantes. O ideal são ambientes próximos a janelas com cortinas leves, onde a luminosidade seja filtrada.
A paisagista Rayra Lira recomenda: “A calathea deve receber bastante claridade, mas nunca sol pleno. A meia-sombra é o ambiente mais próximo do que ela encontra na floresta”.
Temperatura e umidade
A faixa ideal está entre 18°C e 26°C. Correntes de ar frio e ambientes excessivamente secos são prejudiciais. Banheiros bem iluminados ou salas próximas à varanda costumam ser boas opções, desde que protegidas do sol direto.
Borrifar água nas folhas regularmente ajuda a simular o clima tropical de origem.
Rega
Aqui está um dos pontos mais delicados. A rega da calathea deve manter o substrato levemente úmido, mas nunca encharcado. Água fria pode causar choque térmico nas raízes, portanto, prefira água em temperatura ambiente.
Durante períodos mais quentes, a rega tende a ser semanal; em meses frios, pode ser espaçada. Observar a planta é sempre mais eficaz do que seguir um calendário rígido.
Como usar a calathea na decoração
Mais do que cultivar, é preciso saber onde colocar seu vaso de Calathea. Na decoração de interiores com plantas, a planta ornamental funciona bem como ponto focal. Em salas, por exemplo, ela pode ser colocada ao lado do sofá, criando contraste com tecidos neutros. Em quartos, ela suaviza a composição e reforça uma atmosfera de tranquilidade. Já no home office, ela consegue acrescentar vida ao ambiente sem interferir na funcionalidade.

O vaso também desempenha papel importante. Recipientes em cerâmica clara realçam o verde das folhas. Já vasos em tons escuros destacam o contraste com o verso roxo.
Em projetos contemporâneos, a planta-zebra é frequentemente combinada com madeira natural, linho e paletas terrosas, reforçando uma estética biofílica — tendência que integra natureza e arquitetura de forma harmônica.
Transplante e manutenção
Como espécie que pode crescer consideravelmente, a calathea precisa ser transplantada na primavera, quando entra em fase ativa de crescimento. O novo vaso deve oferecer drenagem eficiente, com camada de argila expandida e substrato leve, enriquecido com matéria orgânica e perlita.
Durante o processo, recomenda-se manusear a planta pela base e nunca pelas folhas, evitando danos à sua principal característica ornamental.
Pragas e sinais de alerta
Ambientes muito secos favorecem o aparecimento de ácaros. Manchas claras nas folhas e aspecto opaco podem indicar infestação. Cochonilhas e tripes também são comuns em ambientes externos.
Manter a umidade adequada e inspecionar regularmente as folhas é fundamental para evitar problemas mais graves.
O simbolismo da calathea
Além de ornamental, a calathea carrega simbolismo interessante. Seu nome deriva do grego “kalathos”, que significa cesta, referência ao uso tradicional de suas folhas por povos originários para armazenamento.
No campo simbólico, representa renovação e novos começos — uma associação direta ao seu movimento diário de abrir e fechar as folhas. Por isso, é frequentemente escolhida para ambientes que marcam fases de transição ou recomeços.
Onde posicionar a calathea segundo a energia dos ambientes
Sob a perspectiva do Feng Shui, a calathea está ligada ao elemento madeira, associado a crescimento e estabilidade. Assim, áreas voltadas para o leste ou sudeste da casa são consideradas favoráveis.
Contudo, mais importante que a filosofia é garantir as condições ideais de cultivo: luz difusa, boa ventilação e ausência de correntes frias.
Uma presença que redefine o espaço
Ao escolher uma calathea na decoração, não se trata apenas de inserir uma planta, mas de incorporar movimento, textura e um toque de exuberância tropical cuidadosamente controlada.
Sua presença é delicada, porém impactante. Exige atenção, mas recompensa com folhas vibrantes e uma estética sofisticada. Em tempos em que a busca por conexão com a natureza se intensifica, a planta-zebra reafirma seu lugar como uma das escolhas mais expressivas para interiores contemporâneos.
E, uma vez que ela encontra o ambiente ideal, dificilmente passa despercebida.





