Em meio à vegetação exuberante da Costa Verde fluminense, uma casa de praia em Angra dos Reis revela como a arquitetura pode evoluir junto com o tempo, os hábitos e as transformações da vida familiar. Implantada em um terreno de aproximadamente 10 mil m² e com cerca de 850 m² de área construída, a residência passou por uma nova etapa de renovação que respeita sua essência original, ao mesmo tempo em que incorpora soluções mais alinhadas ao presente.
Assinada pela arquiteta Monica Gervasio, a intervenção dialoga com o projeto original de Cadas Abrantes e surge como resposta a uma mudança importante: a casa precisou se adaptar à dinâmica de um casal na faixa dos 40 anos e três filhos em idades distintas, que passaram a ocupar o imóvel com mais intensidade e diferentes demandas de uso.
Uma arquitetura que se revela aos poucos
Distribuída em três níveis, a casa de praia em Angra dos Reis foi pensada para se revelar de maneira gradual, respeitando o relevo natural do terreno. No pavimento de acesso estão os dormitórios, garantindo mais privacidade e tranquilidade.

Um nível abaixo, os ambientes sociais se integram de forma fluida, favorecendo a convivência e a vista constante para a paisagem. Já no nível inferior, a área de lazer concentra churrasqueira, piscina com hidromassagem e sauna, criando uma transição natural entre arquitetura e natureza.

O paisagismo existente foi preservado e reforçado, atuando como elemento fundamental na experiência da casa. A vegetação madura envolve a construção e reforça a sensação de refúgio, algo essencial em projetos voltados ao lazer e ao descanso.
Atualizar sem descaracterizar
Nesta etapa da reforma, a decisão central foi atualizar sem apagar a memória da casa. A planta original foi mantida, assim como materiais que já faziam parte da identidade do projeto, como o piso de cimento queimado e o forro de bambu trançado, que contribuem para a atmosfera tropical e acolhedora.

Segundo Monica Gervasio, preservar esses elementos foi essencial para manter a coerência arquitetônica. “Quando a estrutura é bem resolvida, a renovação pode acontecer de forma mais sutil, por meio de escolhas que valorizam o que já existe”, observa a arquiteta, ao destacar que a intervenção priorizou ajustes sensíveis, e não rupturas.
Mobiliário, texturas e uma nova unidade visual
A transformação se deu, principalmente, pela renovação do mobiliário, pela introdução de novas texturas, revestimentos decorativos e pela curadoria cuidadosa de objetos e obras de arte. O objetivo foi criar maior unidade visual e leveza, alinhando todos os ambientes a uma linguagem mais contemporânea, sem perder o caráter de casa de praia.

Materiais naturais, tecidos leves, cores claras e iluminação indireta definem a atmosfera dos espaços. O resultado é uma casa confortável, acolhedora e visualmente tranquila, pensada para favorecer o descanso e a contemplação da paisagem. O estilo coastal chic aparece de forma discreta, sem excessos, traduzido em escolhas que priorizam bem-estar e simplicidade sofisticada.
Arquitetura que acompanha o modo de viver
A relação entre arquitetura e estilo de vida também está presente na leitura original do projeto. Para Cadas Abrantes, a implantação da casa e sua organização em níveis sempre buscaram respeitar o terreno e a paisagem. “Uma casa de praia precisa estabelecer um diálogo constante com o entorno, permitindo que a natureza faça parte da experiência cotidiana”, pontua o arquiteto, reforçando a importância dessa integração como base do projeto.

Essa premissa segue atual e foi reforçada na renovação, mostrando como boas decisões arquitetônicas atravessam o tempo e permitem adaptações coerentes.
Lounge gourmet à beira-mar
Como complemento à reforma, Monica Gervasio projetou do zero um lounge gourmet à beira-mar, concebido como uma extensão direta da casa principal. A estrutura, modular, suspensa e desmontável, foi executada exclusivamente com materiais naturais e ecológicos, respeitando o ambiente sensível onde está inserida.

O novo espaço cria pontos adicionais de encontro e convivência junto ao mar, ampliando as possibilidades de uso da casa sem competir com a paisagem. A proposta reforça a ideia de uma arquitetura que se adapta, acolhe e se integra ao entorno, valorizando tanto o convívio quanto a contemplação.





