O início do ano costuma despertar o desejo de recomeço. Não apenas nos planos e metas pessoais, mas também na forma como nos relacionamos com a casa. Dentro da filosofia do Feng Shui, essa sensação não é coincidência. A tradição chinesa entende que o lar funciona como um organismo vivo, capaz de influenciar diretamente a saúde, as relações, o trabalho e o estado emocional de quem o habita.
De acordo com o Feng Shui, janeiro representa um período estratégico para reorganizar os ambientes e permitir que o chi, a energia vital que circula pelos espaços, volte a fluir de forma leve e contínua. Quando a casa está sobrecarregada de objetos sem função, quebrados ou ligados ao passado, essa circulação é bloqueada — e o resultado aparece em forma de cansaço, sensação de estagnação e até falta de clareza mental. Assim, mais do que uma simples arrumação, o desapego se transforma em um gesto simbólico de abertura para o novo.
O impacto dos objetos quebrados e sem uso no fluxo de energia
Um dos princípios centrais do Feng Shui é a ideia de que tudo o que está danificado carrega uma energia interrompida. Louças lascadas, eletrodomésticos que não funcionam, móveis quebrados ou peças decorativas deterioradas comunicam, de forma silenciosa, a permanência do que não evolui. Segundo a consultora de Feng Shui Cristina Marques, manter itens quebrados dentro de casa reforça padrões de estagnação.

“Esses objetos representam assuntos não resolvidos. Quando permanecem no ambiente, acabam refletindo bloqueios que se manifestam no cotidiano, especialmente em áreas como trabalho e prosperidade”, explica.
Por isso, eliminar ou consertar esses itens devolve ao espaço a sensação de cuidado, continuidade e movimento.
Roupas guardadas demais também pesam na energia
Armários abarrotados são outro ponto sensível dentro do Feng Shui. Roupas que não são usadas há anos, que não representam mais quem a pessoa é hoje ou que remetem a fases encerradas ocupam não apenas espaço físico, mas também simbólico.
A lógica é simples: se o guarda-roupa está cheio de passado, o novo não encontra lugar para chegar. Ao liberar essas peças, o ambiente se torna mais funcional e a energia, mais dinâmica. Além disso, a sensação de ordem contribui para maior leveza emocional no dia a dia.
Papéis acumulados e o excesso de estímulos mentais
Contas antigas, documentos desnecessários, revistas guardadas sem propósito e anotações que já perderam sentido criam ruído visual e mental. Dentro do Feng Shui, o acúmulo de papéis está diretamente ligado à dificuldade de organização dos pensamentos. Para a arquiteta e consultora de Feng Shui Marcia De Luca, esse tipo de excesso interfere na clareza.

“Ambientes carregados de informação visual mantêm a mente em estado de alerta constante. Quando eliminamos papéis inúteis, a casa passa a transmitir mais foco e tranquilidade”, afirma.
Dessa forma, manter apenas o que é essencial favorece decisões mais conscientes e reduz a sensação de sobrecarga.
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Plantas secas, artificiais e a perda de vitalidade
No Feng Shui, as plantas representam crescimento, renovação e vitalidade. No entanto, quando estão secas, murchas ou artificiais, passam a simbolizar energia morta. Esses elementos precisam ser revistos, especialmente em áreas sociais e de descanso.
Substituí-las por plantas naturais bem cuidadas devolve vida ao espaço e fortalece a conexão com a natureza — um dos pilares da filosofia chinesa para promover equilíbrio e bem-estar.
Cozinha e despensa: atenção ao que já venceu
A cozinha é considerada um dos ambientes mais importantes dentro do Feng Shui, pois está ligada à nutrição, à saúde e à prosperidade. Alimentos vencidos, embalagens abertas há muito tempo ou armários desorganizados representam descuido e desarmonia.

Uma limpeza cuidadosa da geladeira e da despensa gera impacto imediato na percepção do ambiente. A sensação de leveza que surge após essa organização é um reflexo direto da melhora no fluxo energético.
O quarto e a qualidade do descanso
No dormitório, o Feng Shui recomenda atenção redobrada. Objetos guardados embaixo da cama dificultam a circulação do chi durante o sono, interferindo na recuperação física e emocional.
Além disso, a presença excessiva de tecnologia, papéis de trabalho ou objetos ligados à rotina profissional compromete a função principal do quarto: o descanso. Ambientes mais limpos e visualmente tranquilos favorecem um sono profundo e restaurador.
Lembranças que já não fazem sentido
Presentes indesejados, objetos associados a memórias negativas ou situações encerradas também merecem ser avaliados. Mesmo que não estejam visivelmente danificados, esses itens carregam uma carga emocional que influencia a atmosfera da casa.
No Feng Shui, desapegar não significa apagar o passado, mas reconhecer que certos ciclos já se encerraram. Ao escolher conscientemente o que permanece, o morador reafirma sua disposição para mudanças positivas.





