A sensação de desordem dentro de casa nem sempre está ligada à quantidade de objetos, mas à forma como eles ocupam os espaços mais usados no cotidiano. É justamente dessa observação que nasce a regra dos 60 cm, um conceito simples e extremamente eficiente no design de interiores contemporâneo. Ao compreender esse princípio, torna-se mais fácil criar ambientes funcionais, visualmente leves e alinhados à rotina real de quem mora ali.
Mais do que uma técnica de organização, a regra dos 60 cm propõe uma mudança de olhar: em vez de tentar controlar toda a casa, o foco está nos pontos onde a vida acontece de fato. Quando esses espaços estão bem resolvidos, o restante do ambiente acompanha naturalmente.
O que é a regra dos 60 cm e por que ela funciona
A regra dos 60 cm parte da constatação de que, em praticamente todos os cômodos, existe uma faixa aproximada de sessenta centímetros que concentra o uso diário. São áreas que tocamos, enxergamos e atravessamos com mais frequência — e, por isso mesmo, onde a desorganização aparece primeiro.

Quando esses pontos estão sobrecarregados, a sensação de caos se instala, mesmo que o restante do ambiente esteja em ordem. Por outro lado, ao manter esses 60 centímetros de uso diário livres, funcionais e visualmente equilibrados, o espaço passa a transmitir calma, fluidez e controle.
Segundo a arquiteta Patrícia Anastassiadis, pensar o ambiente a partir do uso real é fundamental: “A boa arquitetura não nasce da estética isolada, mas da observação dos hábitos. Quando o espaço responde à rotina, ele naturalmente se organiza”.
Design orientado pelo hábito, não pela perfeição
A força da regra dos 60 cm está no alinhamento com uma visão atual de morar. Em vez de buscar interiores impecáveis — que só funcionam em fotografias —, o conceito valoriza a casa vivida, dinâmica e adaptável.

Essa abordagem reduz a poluição visual, melhora a circulação e permite uma seleção mais consciente dos objetos à vista. Não se trata de eliminar personalidade, mas de dar espaço para que cada elemento tenha um propósito claro dentro do ambiente.
A arquiteta Bel Lobo reforça essa lógica ao afirmar que “organização não é esconder tudo, mas escolher o que faz sentido permanecer visível no cotidiano”. Assim, o design passa a atuar como facilitador da rotina, e não como uma regra rígida.
Como aplicar a regra dos 60 cm nos ambientes da casa
No quarto: onde o dia começa e termina
No dormitório, os 60 cm mais utilizados costumam estar concentrados na área da mesa de cabeceira. É ali que repousam objetos ligados ao descanso, à leitura e, muitas vezes, à tecnologia. Manter esse espaço livre de excessos cria uma atmosfera mais serena e favorece o relaxamento.

Superfícies limpas, iluminação bem pensada e soluções discretas de armazenamento ajudam a manter o equilíbrio visual. Quando necessário, gavetas internas bem organizadas ou prateleiras sutis permitem que o essencial esteja sempre à mão, sem sobrecarregar o campo visual.
Na cozinha: fluidez no coração da casa
Na cozinha, a regra dos 60 cm se manifesta principalmente ao redor da pia e da área de preparo. São esses pontos que definem a experiência diária de cozinhar. Quanto menos interrupções visuais e físicas, mais funcional e prazeroso o espaço se torna.

Manter apenas os itens indispensáveis nessas superfícies favorece a circulação e facilita a limpeza. O restante pode ser redistribuído em armários fechados ou soluções verticais, respeitando a estética e a ergonomia do ambiente.
No banheiro: ordem que impacta o bem-estar
No banheiro, os 60 cm da bancada da pia concentram o uso mais frequente. Aqui, a organização não é apenas visual, mas também sensorial. Menos estímulos à vista resultam em uma percepção maior de conforto e cuidado pessoal.

Bandejas, recipientes compactos e compartimentos internos ajudam a manter os produtos organizados sem comprometer o desenho do espaço. Dessa forma, o banheiro deixa de ser apenas funcional e passa a contribuir ativamente para a sensação de bem-estar.
Pensar verticalmente: o maior aliado da regra dos 60 cm
Um dos desdobramentos mais inteligentes da regra dos 60 cm é o incentivo ao armazenamento vertical. Ao liberar as superfícies horizontais mais utilizadas, o ambiente ganha leveza e amplitude.
Nichos embutidos, prateleiras estreitas e soluções sob medida aproveitam paredes antes subutilizadas, mantendo os objetos próximos do uso, mas fora da zona crítica dos 60 cm. Quando guardar algo exige poucos movimentos, a organização deixa de ser esforço e se transforma em hábito.
Ordem como consequência, não como obrigação
A regra dos 60 cm não funciona como uma limpeza pontual, mas como um ajuste contínuo e natural da rotina. Pequenas ações diárias — como liberar rapidamente as superfícies mais usadas — mantêm o equilíbrio do espaço sem desgaste.
Se algo não cabe dentro desses 60 centímetros essenciais, o problema não é desorganização, mas a necessidade de repensar o layout ou o armazenamento. Assim, o design assume seu papel mais importante: tornar a casa mais fácil de usar e mais agradável de viver.





