A transformação de um imóvel vai muito além de alterar paredes ou trocar acabamentos. Em projetos contemporâneos, ela envolve compreender como as pessoas vivem, se encontram, recebem amigos e constroem memórias. Foi exatamente essa lógica que guiou a reforma deste apartamento de 138 m² na Vila Mariana, em São Paulo, assinado pela arquiteta Thaís Ruiz. O imóvel, antes compartimentado e pouco conectado, passou a revelar uma nova dinâmica espacial, mais aberta, sensorial e alinhada ao cotidiano de quem o habita.
Desde o primeiro estudo de layout, a prioridade foi favorecer a convivência. A arquiteta optou por uma reconfiguração estratégica da planta, deslocando funções e integrando ambientes para criar um eixo social contínuo, no qual cozinhar, estar, ouvir música ou receber convidados acontece de forma natural, sem barreiras visuais ou físicas.
Integração como essência do projeto
A decisão de ampliar a cozinha e convertê-la em um espaço protagonista foi um dos pontos mais marcantes da reforma. O antigo dormitório de serviço deu lugar a uma área de bar integrada ao living, transformando um espaço antes subutilizado em uma extensão direta do convívio. Assim, o apartamento de 138 m² na Vila Mariana passou a contar com uma área social fluida, que conecta sala de TV, jantar e música em um único gesto arquitetônico.

Essa integração não apenas amplia visualmente os ambientes, mas também redefine o uso do imóvel no dia a dia. A circulação se torna mais orgânica, permitindo que diferentes atividades coexistam sem ruído. A cozinha deixa de ser um espaço isolado e passa a participar da dinâmica da casa, enquanto o bar funciona como ponto de encontro espontâneo durante encontros informais ou eventos maiores.
Um décor que traduz identidade e brasilidade
No campo estético, o projeto aposta em uma leitura contemporânea do estilo eclético jovem, mesclando referências urbanas, artesanais e afetivas. O uso do ripado cerâmico traz textura e ritmo às superfícies, enquanto as prateleiras de cimento queimado introduzem uma materialidade mais crua, quase industrial, equilibrada pelos tons terrosos que aquecem o conjunto.

A sala de TV recebe lambe-lambes que adicionam personalidade gráfica ao espaço, criando uma camada visual que conversa com a cultura urbana e com a memória afetiva dos moradores. Esse diálogo entre o novo e o vivido é um dos fios condutores do projeto.

O balanço suspenso, por sua vez, atua como elemento escultural e emocional. Ele rompe com a previsibilidade do layout tradicional, convida à permanência e reforça a ideia de que a casa deve ser um espaço de prazer e espontaneidade.
Sustentabilidade afetiva como conceito
Mais do que uma reforma estética, o projeto se constrói a partir do conceito de sustentabilidade afetiva. Em vez de substituir tudo por peças novas, a arquiteta optou por valorizar o acervo pessoal dos moradores, integrando ao novo cenário itens carregados de história, como as cadeiras de cinema e objetos garimpados em antiquários.

Esse gesto traz profundidade ao décor. Cada peça deixa de ser apenas um elemento funcional ou decorativo e passa a contar uma narrativa. A casa, dessa forma, não parece recém-montada, mas sim construída ao longo do tempo, com camadas de memória e identidade.
A luz como elemento de conexão
O projeto de iluminação foi desenhado para dialogar com a arquitetura e o uso dos espaços. A luz natural é amplificada pela nova configuração da planta, enquanto os pontos artificiais foram pensados para criar diferentes atmosferas ao longo do dia.

Na área social integrada, cenas de iluminação mais baixas favorecem momentos de relaxamento e encontros informais, enquanto luzes mais focadas permitem que o espaço se adapte facilmente a jantares, reuniões ou apresentações musicais. Essa flexibilidade reforça o caráter multifuncional do apartamento de 138 m² na Vila Mariana, que se molda ao ritmo dos moradores.
Um lar pensado para viver e receber
Ao final, o projeto revela um entendimento sensível de como arquitetura e design podem melhorar a experiência cotidiana. A reforma não apenas ampliou espaços ou modernizou acabamentos, mas criou um cenário onde a convivência se torna protagonista.
Neste apartamento de 138 m² na Vila Mariana, cada escolha — da planta ao balanço, da iluminação ao reaproveitamento de peças — contribui para um ambiente que acolhe, conecta e reflete quem vive ali. É um exemplo de como o morar contemporâneo pode ser ao mesmo tempo funcional, expressivo e profundamente humano.





