Janeiro costuma ser associado apenas a calor intenso, regas frequentes e crescimento acelerado. No entanto, para quem cultiva flores, arbustos ornamentais e até frutíferas, esse período também pode ser decisivo para garantir um jardim mais vistoso ao longo do verão e até do outono. A poda de verão, quando feita com critério, atua como uma ferramenta de equilíbrio: reduz o desperdício de energia, elimina partes comprometidas e direciona a força da planta para novas brotações — muitas delas responsáveis pela próxima floração abundante.
Diferente da poda drástica realizada no inverno, janeiro pede cortes conscientes, focados em manutenção, limpeza e estímulo fisiológico. Com altas temperaturas, maior luminosidade e metabolismo acelerado, várias espécies respondem rapidamente ao manejo correto, emitindo novos ramos, folhas mais vigorosas e botões florais.
Segundo o engenheiro agrônomo Ricardo Cardim, especialista em paisagismo tropical, a poda no verão não tem função estética apenas. “Quando retiramos galhos improdutivos ou desgastados no período de crescimento ativo, a planta redistribui seus recursos. O resultado costuma ser uma brotação mais equilibrada e, em muitas espécies ornamentais, um estímulo direto à floração”, explica.
Plantas que se beneficiam da poda feita em janeiro
Nem todas as espécies reagem da mesma forma aos cortes no verão. Algumas, no entanto, apresentam respostas visíveis poucas semanas após a intervenção, especialmente quando o manejo respeita o ritmo natural da planta.
Hibisco

Muito comum em jardins tropicais, o hibisco cresce rápido durante o verão. A poda de janeiro ajuda a remover folhas envelhecidas e ramos desordenados, favorecendo uma floração mais contínua. O ideal é reduzir o volume de forma equilibrada, sem comprometer a estrutura principal.
Primavera (bougainville)

A trepadeira famosa por suas cores intensas costuma gastar energia em ramos longos e pouco floridos. Cortes seletivos no início do ano eliminam galhos finos e sem vigor, concentrando a força da planta nos ramos capazes de produzir brácteas mais intensas.
Roseiras

Após ciclos de floração, as roseiras entram em um momento ideal para limpeza e reorganização. A retirada de ramos fracos, secos ou doentes em janeiro prepara a planta para novas florações ao longo do verão, desde que os cortes sejam moderados.
Lavanda

Embora delicada, a lavanda responde bem a podas leves no verão. O objetivo não é atingir a parte lenhosa, mas renovar os ramos floríferos, manter o formato compacto e estimular uma segunda ou terceira floração em regiões mais quentes.
Ixora

Muito usada em projetos de paisagismo residencial, a ixora cresce intensamente com calor e umidade. A poda ajuda a manter o arbusto denso e com flores mais concentradas, além de preservar sua função ornamental em jardins e áreas externas.
Frutíferas de pequeno porte

Espécies como aceroleira, pitangueira e romeira podem receber podas de limpeza em janeiro. A remoção de galhos cruzados melhora a entrada de luz e circulação de ar, fatores essenciais para uma frutificação equilibrada e saudável.
Como podar no verão sem comprometer a planta
No verão, menos é mais. O excesso de cortes pode gerar estresse hídrico e dificultar a cicatrização. A orientação geral é não remover mais do que 20% da copa em uma única intervenção.
A paisagista Luciana Leal, especializada em jardins residenciais, destaca que o momento da poda é tão importante quanto o corte em si. “No calor intenso, o ideal é podar no começo da manhã ou no fim da tarde. Assim, a planta não sofre com a evaporação excessiva e consegue cicatrizar melhor os ferimentos”, orienta.
Ferramentas afiadas e higienizadas evitam danos aos tecidos vegetais. Cortes diagonais, limpos e sem esmagar os galhos ajudam na recuperação. Em ramos mais grossos, o uso de cicatrizante vegetal pode ser um aliado, especialmente em regiões muito úmidas.
Cuidados essenciais após a poda
Depois da poda de janeiro, a planta entra em fase de reorganização. A rega deve ser regular, mas sem encharcar o solo. A adubação, por sua vez, deve esperar alguns dias, até que os cortes estejam cicatrizados.
Observar os novos brotos permite direcionar o crescimento com pequenos ajustes futuros. Caso o sol esteja muito intenso, uma proteção temporária pode evitar queimaduras nas áreas recém-podadas.
“Poda bem feita é diálogo com a planta. Quando respeitamos o tempo dela, o retorno vem em forma de flores mais bonitas, folhas mais viçosas e um jardim muito mais equilibrado”, resume Luciana.





