Em qualquer projeto residencial, a escada nunca é apenas um meio de passagem. Ela conduz o olhar, cria expectativa entre um pavimento e outro e pode assumir o papel de escultura integrada à casa. Ainda assim, por trás dessa atmosfera de leveza — tão explorada em referências de escritórios contemporâneos no Brasil — há uma soma complexa de cálculos, ergonomia e decisões estéticas que precisam dialogar com precisão.
É justamente nessa confluência entre técnica e poesia que o arquiteto Alexandre Pasquotto, do Meneghisso & Pasquotto Arquitetura, enxerga o verdadeiro desafio. “Cada escada é um desafio técnico e estético único. É uma parte da obra em que o cálculo e o design precisam conversar o tempo todo”, afirma o profissional, que há anos desenvolve projetos onde o desenho da escada se torna protagonista.
Ao lado da arquiteta Mariana Meneghisso, Pasquotto reforça que uma escada bem resolvida é aquela que reúne segurança, fluidez de uso e coerência visual, sem abrir mão do impacto que esse elemento pode gerar dentro do ambiente.
A estrutura que sustenta o desenho
Para que uma escada pareça leve, silenciosa e perfeitamente encaixada no ambiente, seu primeiro passo precisa ser absolutamente técnico: o dimensionamento estrutural. Em projetos brasileiros apresentados recentemente em portais especializados como Casa e Jardim e ArchDaily Brasil, essa etapa tem ganhado cada vez mais destaque, especialmente em escadas plissadas, flutuantes ou com degraus engastados.

Segundo Alexandre Pasquotto, é na estrutura que se define o comportamento da escada. A escolha entre concreto armado, aço, madeira laminada e até sistemas híbridos determina como o peso será distribuído, quais reforços serão necessários e como o conjunto reage às vibrações. “Quando o cálculo é bem-feito, a escada parece leve, mas é extremamente sólida. Esse equilíbrio é o que diferencia um projeto técnico de uma obra não qualificada”, explica o arquiteto.

Esse equilíbrio se torna ainda mais sensível em modelos de grande impacto visual, como as escadas plissadas, que reproduzem dobras sucessivas e exigem cálculos aprofundados de apoio e tensão. Em muitos apartamentos brasileiros, esse tipo de escada tem substituído antigas estruturas caracol, oferecendo maior conforto e estética contemporânea.
Proporção perfeita: o encontro entre ergonomia e segurança
Depois de resolvida a estrutura, vem a etapa que determina o conforto real da escada: a proporção entre o piso e o espelho. Embora pareça apenas uma questão de milímetros, pequenas variações alteram completamente o ritmo da subida, podendo causar tropeços, fadiga e insegurança, sobretudo para crianças, idosos e pessoas com mobilidade reduzida.
Pasquotto reforça que esse é um dos pontos mais minuciosos do projeto. “Essas medidas parecem simples, mas envolvem muitos cálculos e testes para chegar à proporção ideal. É o tipo de detalhe que faz diferença no uso cotidiano”, explica.
Além disso, normas brasileiras como NBR 9050 e NBR 9077 orientam largura mínima da escada, altura e continuidade dos corrimãos, resistência e altura dos guarda-corpos. Essas diretrizes, mencionadas em reportagens recentes da Revista Projeto e da Casa Vogue, reforçam que a escada é, antes de tudo, um equipamento de circulação — e não apenas um elemento de decoração.
Materiais que definem personalidade e desempenho
Madeira, concreto, metal, vidro, pedra natural, porcelanato: cada material imprime não apenas uma estética, mas também um comportamento estrutural específico. Em casas brasileiras contemporâneas, o uso de materiais mistos tem se tornado tendência, especialmente quando o objetivo é unir robustez, leveza visual e conforto tátil.

A madeira, por exemplo, oferece aquecimento sensorial e suavidade no caminhar, enquanto o concreto armado aceita formatos ousados e diferentes revestimentos. O metal permite desenhos mais finos e minimalistas, e o vidro traz transparência e integração visual entre os ambientes. Em modelos recentes apresentados no mercado, o mármore e o quartzo têm ganhado destaque por sua durabilidade e elegância, principalmente em áreas sociais.
Desenho, luz e narrativa arquitetônica
Se a estrutura garante segurança, o desenho é o que transforma a escada em poesia arquitetônica. Modelos em L, em U, helicoidais, plissados, flutuantes, com guarda-corpos invisíveis ou engastados na parede dialogam com o layout, o pé-direito e a linguagem estética da residência.
Mariana Meneghisso explica que a escada pode ser discreta ou protagonista. “A escada pode ser o foco ou discreta, o importante é que ela faça sentido dentro do conjunto arquitetônico. Quando o cálculo, o material e o desenho trabalham em conjunto, o resultado é coerente e expressivo dentro do projeto”, destaca a arquiteta.
A iluminação desempenha papel determinante nessa narrativa. Fitas embutidas, pontos direcionais, degraus retroiluminados e corrimãos iluminados elevam a experiência sensorial, além de reforçarem a segurança durante a circulação noturna.
O olhar técnico que garante longevidade
Nenhuma escada nasce pronta sem acompanhamento profissional rigoroso. A etapa da execução envolve monitorar ferragens, armação da estrutura, nivelamento de degraus, prumo, encaixes e acabamentos — pontos frequentemente destacados em reportagens da Casa e Jardim sobre erros comuns em obras residenciais.
Por isso, Alexandre Pasquotto sempre reforça a importância da supervisão. “O segredo está no acompanhamento de perto. Cada detalhe da ferragem à espessura do degrau influencia no resultado. Uma escada bem construída é para a vida toda”, finaliza o arquiteto.





