Resumo
• O papel de parede evoluiu de mero detalhe decorativo para um recurso capaz de transformar ambientes com estilo, praticidade e impacto visual.
• A arquiteta Cristiane Schiavoni destaca como estampas, texturas e materiais valorizam a estética e o bem-estar dos moradores.
• A escolha do tipo ideal depende do ambiente: vinílicos para manutenção fácil e TNT para áreas arejadas, evitando banheiros com umidade constante.
• Listras, florais, paisagens, animal print e efeitos que imitam tijolos mostram a versatilidade criativa do papel de parede nos projetos da arquiteta.
• Instalação correta, alinhamento preciso e manutenção suave garantem durabilidade, acabamento impecável e paredes sempre renovadas.
O papel de parede deixou de ser apenas um complemento decorativo e passou a ocupar um papel significativo na construção da identidade visual dos ambientes. Em projetos contemporâneos, sua presença vai além do efeito imediato: ele cria atmosferas, organiza o campo visual e atua como uma ferramenta eficiente para transformar espaços sem obras, sujeira ou intervenções estruturais. A arquiteta Cristiane Schiavoni, que há anos explora o potencial desse recurso em seus interiores, reforça que o material tem o poder de unir estética, funcionalidade e bem-estar de maneira única.
“É uma ferramenta poderosa para vestir as paredes com estilo, valorizar o conjunto da decoração, trazer cor e estampas e, claro, favorecer ainda mais a busca por bem-estar”, explica.
A profissional costuma combinar diferentes tipos de papéis, sempre considerando o modo como cada superfície conversa com iluminação, mobiliário e hábitos dos moradores. Para ela, o papel de parede atua como um elo sensorial entre estilo de vida e estética, criando cenários que refletem memórias, preferências e afetos.
Uma jornada que começou há séculos
A longa história do papel de parede revela o quanto o material evoluiu até se tornar o revestimento versátil que conhecemos hoje. Surgido na China há mais de dois mil anos, quando artesãos começaram a aplicar folhas de arroz pintadas manualmente, o recurso atravessou continentes, ganhando formas luxuosas e detalhes refinados ao chegar à Europa. Nos séculos XVII e XVIII, França e Inglaterra se tornaram grandes polos de produção, criando padrões que se tornaram símbolos de estilo e status.
Com o tempo, a tecnologia ampliou as possibilidades. Hoje, os papéis possuem maior durabilidade, fidelidade nas estampas, variações de textura e acabamentos especializados que atendem a diferentes necessidades, desde ambientes secos até áreas que exigem manutenção prática.
Escolha técnica: onde e quando usar cada tipo
Definir o papel de parede certo exige atenção ao tipo de ambiente, às condições de uso e ao efeito desejado. Os modelos vinílicos, por exemplo, se destacam pela resistência e pela facilidade de limpeza, funcionando bem em áreas com maior circulação. Já os papéis feitos com Non Woven (TNT) oferecem mais respirabilidade, o que evita o acúmulo de umidade na superfície. Ainda assim, Cristiane Schiavoni ressalta um ponto importante: apesar de o TNT ser bastante associado a banheiros, o uso no Brasil ainda demanda cautela.

“As colas disponíveis no país não acompanham as especificidades de um ambiente com umidade constante. Por isso, não recomendo o papel de parede nessas áreas”, afirma.
Em contrapartida, ela destaca que lavabos — que não têm vapor quente — são ambientes perfeitos para composições ousadas e marcantes. A escolha inteligente passa por entender a rotina dos moradores, o estilo arquitetônico e a base onde o papel será aplicado. É assim que a profissional consegue equilibrar técnica e emoção, garantindo resultados duráveis e visualmente equilibrados.
Criatividade aplicada: cinco usos que revelam novas possibilidades
Nos projetos de Cristiane Schiavoni, o papel de parede se manifesta em interpretações diversas. Em ambientes que pedem sobriedade, ela aposta nas listras, que ajudam a criar ritmo e ajustar a percepção espacial. Verticalizadas, elas alongam o pé-direito; horizontais, ampliam a sensação de espaço. “Gosto de brincar com combinações como preto, branco e verde; elas trazem personalidade sem romper a harmonia”, explica.
Em outras propostas, o floral se torna protagonista. Romântico ou contemporâneo, ele reforça a presença da natureza dentro de casa e cria uma atmosfera calorosa em halls, corredores e lavabos. Para Cristiane, o segredo está na escala da estampa e na sutileza das cores, que podem remeter a um jardim delicado ou a uma estética mais dramática.
As paisagens, por sua vez, introduzem profundidade e transportam o olhar para outro lugar. Em um de seus projetos residenciais, o living ganhou amplitude e frescor com um cenário que substitui a monotonia da parede lisa por um horizonte cheio de detalhes.
Em lavabos, a arquiteta explora a ousadia do animal print, apostando, por exemplo, no papel de parede de onça da Dolce & Gabbana. A composição cria um impacto sofisticado e cheio de presença, acentuado pela iluminação de destaque. “Queríamos algo elegante, mas com emoção. O animal print cumpre esse papel perfeitamente”, comenta.
Outro uso que conquista os moradores é o efeito tijolinho, que simula com fidelidade a textura e o charme do material natural. Sem obra, poeira ou custos elevados, a parede ganha um toque industrial ou rústico na medida certa. Cristiane destaca que o recurso aquece o ambiente e cria uma sensação acolhedora, ideal para áreas sociais e até cozinhas integradas.
Instalação e manutenção: o que diferencia um bom resultado de um excelente
A longevidade do papel de parede depende da preparação correta da superfície e da escolha de materiais adequados. Cristiane Schiavoni reforça que o processo começa muito antes da aplicação. A parede precisa estar limpa, livre de mofo e com acabamento nivelado para evitar bolhas e irregularidades. Depois, a cola correta — sempre indicada para o tipo específico de papel — deve ser aplicada de forma uniforme, sem falhas que comprometam a aderência.
O alinhamento das faixas, o cálculo preciso do rapport e a marcação da parede são etapas que exigem paciência e técnica. É esse cuidado que garante continuidade nas estampas, acabamento impecável e um visual final que parece ter sido desenhado diretamente na superfície.
Já a manutenção é simples: basta usar um pano macio ou esponja levemente úmida com detergente neutro. Produtos abrasivos ou solventes, por outro lado, podem danificar o revestimento e devem ser evitados. Seguindo esses cuidados, o papel de parede mantém sua vivacidade por muitos anos.





