Todo apartamento com um terceiro quarto enfrenta a mesma decisão difícil: virar escritório fixo que fica vazio na maior parte do tempo, ou quarto de hóspedes que só recebe alguém três vezes por ano. O projeto assinado pelo arquiteto Bruno Moraes, do BM Studio, resolveu essa escolha eliminando a necessidade de escolher.
O cômodo funciona como home office durante a semana e se transforma em quarto de hóspedes completo nos fins de semana, sem que nenhuma das duas funções pareça improvisada. A peça central dessa transformação é um sofá-cama, que atua como assento de apoio em dias normais de trabalho e se converte em cama de casal quando a visita chega.
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Um ambiente que muda de função sem perder identidade
A configuração do espaço foi pensada para acompanhar a rotina real dos moradores, não uma rotina idealizada. Durante o expediente, o sofá-cama serve para leituras rápidas e reuniões mais informais, funcionando como uma extensão confortável da mesa de trabalho. Quando a ocasião pede, o mesmo móvel se abre em poucos movimentos e oferece conforto de cama de casal completa.

Essa lógica de ambiente multifuncional deixou de ser um extra desejável e passou a ser critério de projeto, principalmente em imóveis de metragem menor, onde cada cômodo precisa justificar seu uso todos os dias da semana, não apenas em ocasiões especiais.
A marcenaria que sustenta as duas funções ao mesmo tempo
Para que o ambiente funcionasse como escritório sem parecer um cômodo de trabalho abandonado nos fins de semana, o projeto apostou em uma estante sob medida, desenvolvida no padrão Cacau da Arauco. O tom quente da madeira cumpre um papel duplo: durante a semana, organiza livros, documentos e a impressora de forma prática; no fim de semana, contribui para o acolhimento visual esperado de um quarto de hóspedes.

Esse tipo de solução mostra como a marcenaria planejada pode carregar mais função do que parece à primeira vista. Uma estante comum resolveria apenas o armazenamento. A estante projetada por Bruno Moraes resolve armazenamento e continuidade estética entre dois usos completamente diferentes do mesmo espaço.
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Privacidade sem evidenciar a rotina de trabalho
Um ambiente que serve a duas funções corre o risco de nunca cumprir nenhuma delas com qualidade. Aqui, esse risco foi evitado através da escolha de uma paleta neutra e sofisticada, que sustenta tanto a produtividade no dia a dia quanto o acolhimento na hora de receber visitas.
Quando o cômodo está em função de quarto de hóspedes, a rotina de trabalho fica discreta o suficiente para não interferir na sensação de descanso de quem está hospedado. No cotidiano como escritório, a mesma neutralidade que acolhe o hóspede evita distrações visuais e mantém o foco de quem está trabalhando.

Essa dualidade bem resolvida é o que diferencia um ambiente verdadeiramente multifuncional de um cômodo que apenas acumula móveis de duas categorias diferentes. Cada função mantém seu espaço de uso respeitado, mesmo dividindo os mesmos metros quadrados.
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