Sala, cozinha, banheiro e dormitórios costumam concentrar o orçamento e a atenção de uma reforma. A área de serviço fica para depois, tratada como um detalhe menor dentro do projeto residencial. “É comum que muitas pessoas posterguem ou realizem uma execução aquém do merecimento em função do orçamento total da obra ou até por achar desnecessário investir na área de serviço”, relata a arquiteta Isabella Nalon, à frente do seu escritório homônimo.
O problema dessa lógica aparece rápido no cotidiano. Sem planejamento, o ambiente não dá conta de lavar, secar e passar roupas com eficiência, nem organiza a limpeza da casa, nem armazena o que precisa ser guardado. “Ainda mais em plantas compactas, é preciso dedicar atenção para aprimorar o pouco espaço para extrair o melhor dela”, afirma a arquiteta. A seguir, os pontos que ela analisa em cada projeto.
O ambiente vai muito além da máquina de lavar
A maioria das pessoas projeta a área de serviço pensando exclusivamente na lava e seca. Para Isabella, esse recorte deixa passar funções que o cômodo precisa cumprir todos os dias: guardar a tábua e o ferro de passar, acomodar o aspirador de pó, seja o modelo tradicional ou o robô, e oferecer um sistema de secagem que não dependa só da máquina.

“Como nem tudo precisa ou pode secar artificialmente, o varal é indispensável”, afirma a arquiteta, que cita variações como os modelos de teto com roldanas, os de manivela e as versões automáticas, todos pensados para simplificar o momento de estender as peças.
A posição dos eletrodomésticos não é aleatória
Em um projeto bem resolvido, nenhum eletro fica onde fica por acaso. Isabella recomenda posicionar a máquina de lavar próxima ao tanque, já que peças como camisas costumam exigir lavagem manual prévia de colarinhos e mangas antes de irem para a máquina.

A lógica de proximidade também vale para a relação entre a área de serviço e outros ambientes da casa. Em projetos onde cozinha e área de serviço estão conectadas, faz sentido posicionar a lava e seca afastada da geladeira — tanto pela prumada de água quanto pelo risco de respingos do tanque atingirem o eletrodoméstico da cozinha.
Uma bancada para apoiar baldes e bacias também entra na lista de recomendações da arquiteta. “Quando a lavadora não realiza a secagem, o equipamento complementar deve ficar ao lado ou acima”, orienta.
O tanque continua sendo insubstituível
Máquinas com função de secagem ganharam popularidade, mas isso não tornou o tanque dispensável. Ele segue essencial para lavar peças delicadas, deixar roupas de molho, higienizar calçados e panos de limpeza, encher balde para passar pano na casa e, dependendo do modelo, até dar banho em pets pequenos.

Na hora de posicioná-lo, Isabella avalia as intenções de uso do morador, as dimensões do ambiente, o material mais adequado, seja aço inox ou louça sanitária e a posição que não interfira na circulação nem na abertura de portas. Uma alternativa cada vez mais usada é transformar o tanque em uma grande cuba, produzida no mesmo material da bancada, como pedra ou porcelanato.
Armazenamento pensado por tipo de item
Armários planejados resolvem boa parte da organização da área de serviço, mas a eficiência deles depende do formato. Módulos altos comportam vassouras, rodos e escadas. Gavetões guardam roupas sujas ou peças limpas que aguardam a passagem do ferro.
As opções não terminam nos armários fechados. Um varão para cabides, nichos e prateleiras próximos ao tanque para deixar produtos de limpeza à mão, e uma sapateira destinada a calçados sujos completam um sistema de armazenamento que acompanha a rotina real de quem usa o espaço.
Revestimento não é escolha estética isolada
Água em contato constante com o piso muda as prioridades técnicas do ambiente. Um piso antiderrapante é condição de segurança, não de estilo. As paredes, atingidas por respingos frequentes, precisam de revestimento que resista à umidade e facilite a limpeza.]

Fora da área de contato direto com água, o projeto ganha liberdade. “No restante da área de serviço é possível explorar diferentes revestimentos e opções de pintura de forma a transformá-la em um ambiente charmoso e gostoso de se estar”, destaca Isabella.
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Luz e ventilação natural fazem parte da função
Além da luz que entra pela janela, a arquiteta recomenda uma iluminação artificial homogênea e em tom amarelo, distribuída de forma a evitar sombras. “Sem contar que o tipo de luminária não deve interferir na movimentação do varal ou a abertura das portas dos armários”, adverte.
A ventilação natural completa esse conjunto de exigências técnicas. Ela auxilia diretamente na secagem das roupas, o ideal é instalar o varal com as hastes no sentido do vento — e é determinante para a segurança em ambientes com aquecedores de passagem instalados.
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