Em Curitiba, um quarto da população já tem mais de 60 anos. É mais que a média nacional, que já soma 22,1 milhões de brasileiros nessa faixa etária segundo o último censo. Esse número não é um detalhe demográfico distante: é o ponto de partida de um projeto arquitetônico que está sendo construído agora no bairro Alto da Glória, na capital paranaense.
O BIOOS, empreendimento da Incorporadora e Construtora Laguna com projeto arquitetônico assinado pelo escritório Ricardo Amaral Arquitetos Associados, não resolve essa equação com um prédio comum adaptado. Ele nasce com duas torres pensadas para funcionar como um único sistema: uma residencial, outra voltada exclusivamente para serviços de saúde. A proposta é que os moradores tenham consultórios, exames e estrutura médica a poucos metros de casa, sem depender de deslocamentos que se tornam cada vez mais custosos com a idade.
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Por que o público 60+ virou prioridade de projeto
O crescimento dessa faixa etária no Brasil não é uma tendência isolada de Curitiba, mas a cidade concentra o fenômeno de forma mais intensa que a média do país. Esse tipo de dado é o que está movendo o mercado imobiliário nacional em direção aos empreendimentos multiuso — projetos que combinam moradia, saúde e serviços num único endereço, e que têm registrado forte êxito de vendas em diferentes capitais brasileiras.
“O principal objetivo deste imóvel é corresponder à tendência global que discute o destino das cidades e o envelhecimento da população. Por isso, as duas torres se retroalimentam, oferecendo conforto, segurança e serviços para os condôminos, que não precisam de grandes deslocamentos para ter à disposição estabelecimentos essenciais”, explica Fabiano Gonçalves, diretor técnico e arquiteto sênior do escritório Ricardo Amaral.
O que muda dentro do apartamento
A torre residencial, batizada de BIOOS Home, reúne 108 unidades com metragens entre 42 m² e 83 m². À primeira vista, parecem apartamentos convencionais. Na prática, cada detalhe técnico foi recalculado para o envelhecimento com autonomia — o tipo de projeto que normalmente só aparece depois que uma reforma se torna necessária, e que aqui já vem resolvido desde a planta.
Os corredores e portas são mais largos que o padrão de mercado, pensados para cadeira de rodas ou andador sem exigir adaptação futura. As fechaduras são eletrônicas, os sensores de fumaça vêm integrados, e as tomadas do fogão elétrico têm desligamento automático — um detalhe que reduz um dos riscos domésticos mais comuns entre idosos que moram sozinhos.
“Os apartamentos foram pensados para garantir acessibilidade, comodidade e autonomia para os moradores. É por isso que todas as unidades têm pisos antiderrapantes, botões de S.O.S, interfone com sistema de vídeo, pisos nivelados, tomadas mais altas e interruptores mais baixos, entre outros detalhes, fundamentais para a segurança e comodidade desse público”, ressalta Gonçalves.
O banheiro concentra boa parte dessas soluções: barras de apoio e banco articulado dentro da suíte tornam o espaço mais seguro sem transformá-lo visualmente num ambiente hospitalar — um equilíbrio que costuma ser o ponto mais difícil de acertar em projetos de acessibilidade residencial.
A torre que funciona como extensão do prédio de saúde
Enquanto a torre residencial resolve o dia a dia, a torre comercial, batizada BIOOS Health, foi planejada dentro das exigências técnicas da Anvisa para receber estrutura de saúde de verdade — não apenas consultórios isolados.
“O BIOOS Health será destinado principalmente ao universo da saúde, contando com consultórios médicos, além de duas lajes preparadas para receber um centro de diagnóstico por imagem e um hospital-dia, com estrutura para a realização de procedimentos de baixa complexidade. A torre também terá escritórios aptos a receber qualquer outra modalidade de serviço”, conclui Fabiano Gonçalves.
Essa combinação — moradia com estrutura de saúde no mesmo terreno — é o que diferencia o BIOOS de um condomínio residencial tradicional com boas condições de acessibilidade. O prédio foi desenhado para que envelhecer ali não signifique se mudar depois, nem depender de deslocamentos frequentes para manter consultas e exames em dia.
Localizado no Alto da Glória, região central de Curitiba, o empreendimento que teve entrega prevista para o ano de 2025, representa um modelo que deve se repetir: à medida que a proporção de brasileiros com mais de 60 anos continua crescendo, projetos que integram moradia e saúde desde a planta tendem a deixar de ser exceção no mercado imobiliário e se tornar padrão de projeto.
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