4 erros de decoração que deixam qualquer ambiente com cara de brega, segundo arquiteta

Da poltrona trambolhão ao quadro do casal em tamanho gigante: veja o que eliminar agora para elevar o nível da sua decoração

4 erros de decoração que deixam qualquer ambiente com cara de brega, segundo arquiteta

Alguns erros de decoração são silenciosos, eles parecem escolhas neutras, inofensivas e até populares, mas o resultado final é sempre o mesmo: um ambiente que perdeu o refinamento antes mesmo de ser finalizado. Não se trata de estilo caro ou barato, de apartamento grande ou compacto. Trata-se de decisões que comprometem a leitura visual do espaço, e que se repetem com uma frequência impressionante nos projetos residenciais brasileiros.

A arquiteta Clarice Maggi identificou quatro desses erros que muita gente faz com boa intenção, querendo personalizar, aconchegar ou valorizar o espaço, mas que, na prática, fazem exatamente o contrário.

O quadro do casal fora de escala

Retratos de casais e famílias têm lugar na decoração, sim, mas o problema está no tamanho e no posicionamento. Aquele quadro gigante com a foto do casal, exposto em local de destaque na sala ou no quarto, é um dos erros mais recorrentes e, ao mesmo tempo, mais difíceis de apontar sem gerar resistência.

“Esse tipo de foto, a gente coloca num porta-retrato discreto. Não precisa ser aquela coisa enorme que vai estar lá super em destaque no quarto ou na sala, especialmente para quem chega na casa”, orienta Clarice Maggi.

O que acontece tecnicamente é simples: quando uma imagem pessoal ocupa uma parede inteira ou domina o campo visual de quem entra no ambiente, ela não se comporta como elemento decorativo. Ela vira o protagonista absoluto do cômodo, sem nenhum diálogo com o restante da composição. O espaço perde equilíbrio, e a decoração perde consistência.

A escala importa tanto quanto o conteúdo da imagem. Retratos pessoais funcionam bem quando integrados a uma composição maior, numa galeria de parede, por exemplo, onde convivem com outros elementos de design, quadros abstratos ou peças artísticas. Isolados e ampliados, eles simplemente pesam demais.

Móveis com pé palito: o clássico que não funciona

Esse é um dos erros que a arquiteta descreve com mais firmeza. O móvel de pé palito, aquele com pernas finíssimas, quase como palitos de madeira, foi associado por muito tempo ao estilo retrô e ao mid-century modern. O problema é que essa releitura popular raramente acerta a execução.

“Esses móveis, pezinho fininho desse jeito, eles deixam o móvel frágil, capenga, sem força na decoração. Ele não favorece, ele não agrega, ele não vai deixar sua casa mais elegante, mais aconchegante. Melhor não ter nada do que ter isso aí”, afirma Clarice.

O pé palito original, dentro de um projeto mid-century bem executado, tem proporção, material e acabamento específicos. O que circula hoje no mercado popular não reproduz essa proporção e reproduz apenas a forma, sem a consistência estrutural e visual que o estilo exige. O resultado é um móvel que parece instável, sem âncora visual, que não conversa com nada ao redor.

Móveis com base mais robusta, seja em madeira maciça, metal espesso ou com saia, transmitem peso visual positivo. Eles ancoram o ambiente, criam continuidade entre o piso e a peça, e constroem a sensação de solidez que qualquer decoração bem-resolvida precisa ter.

A poltrona trambolhão

O nome já diz tudo, e Clarice não economiza nas palavras ao falar sobre ela. A poltrona trambolhão — volumosa, estofada em excesso, com proporções que não respeitam o espaço ao redor é um dos elementos que mais comprometem a leitura de uma sala, independentemente do restante da decoração.

“Esse modelo de poltrona precisa ser eliminado, precisa ser esquecido. Esse tipo de poltrona na sala nunca vai ficar bom, não vai, não tem como. Deleta, esquece essa poltrona”, recomenda a arquiteta.

O grande erro aqui é confundir conforto com volume. Uma poltrona confortável não precisa ter dimensões desproporcionais. O que define o conforto de uma peça é a qualidade do estofamento, a densidade da espuma, a profundidade do assento e o ângulo do encosto — não o tamanho. Quando uma poltrona ocupa espaço demais em relação ao restante do mobiliário, ela desequilibra a composição e fecha a circulação do ambiente.

Poltronas com desenho mais limpo, proporções controladas e pés bem definidos entregam conforto e elegância ao mesmo tempo. Esse é o equilíbrio que um projeto de interiores bem-feito busca: a peça precisa ser agradável para quem usa e coerente com quem olha.

Quadros de leão, Torre Eiffel e praias com contraste excessivo

Esse quarto erro talvez seja o mais comum de todos. Quadros com imagens fotográficas de alto contraste, aquele mar turquesa saturado, o leão com olhar intenso, a Torre Eiffel em preto e branco com toque dourado, a paisagem urbana de Londres ou Nova York, são peças que circulam muito, custam pouco e parecem uma solução fácil para paredes vazias. Mas há uma razão pela qual esses quadros comprometem a decoração, e ela é técnica.

“Esse tipo de quadro que tem o desenho muito fotográfico, aquela coisa de contraste de tom, chama muito atenção, não fica delicado, não traz refinamento. Ele baixa o nível da decoração. Não tenha, não use, não dá”, sentencia Clarice Maggi.

O problema não é a imagem em si, mas o nível de saturação e contraste que essas peças carregam. Elas competem visualmente com tudo ao redor, não dialogam com a paleta do ambiente e interrompem a coerência da composição. Num espaço que busca serenidade, elegância ou até mesmo aquela estética de revista, um quadro assim desafina como uma nota errada no meio de uma música bem executada. Confira mais dicas da arquiteta no vídeo a baixo.

  • Cláudio P. Filla é comunicador social e especialista em mídias digitais, com mais de 11 anos de atuação na curadoria de tendências para o mercado de arquitetura e decoração. Como editor-chefe do Enfeite Decora, Cláudio lidera um conselho editorial composto por arquitetos, designers de interiores e paisagistas registrados (CAU/ABD), garantindo que cada artigo combine inspiração visual com rigor técnico e normativo. Sua missão é traduzir o complexo universo da construção e do design em soluções práticas, sustentáveis e acessíveis, sempre sob o respaldo de profissionais renomados do setor brasileiro.

    Para mais conteúdos do Enfeitedecora, siga o nosso X (Twitter), Instagram e Facebook, inscreva-se no nosso canal no Spotify, Pinterest e acompanhe as atualizações sobre decoração, arquitetura, arte e projetos inspiradores.


    E-mail: contato@enfeitedecora.com.br

Sair da versão mobile